Taxa de pobreza no país calculada em 56%, diz José Pedro de Morais
17-08-2006 | Fonte: Jornal de Angola
O ministro das Finanças, José Pedro de Morais Júnior, disse na passada quarta-feira, em Luanda, que a taxa de pobreza no país, em 2005, ficou calculada em 56 por cento, o que corresponde a 12 pontos percentuais menos do que no período entre 2000 e 2001, altura da realização do Inquérito às Despesas e Receitas Familiares.

De acordo com os últimos resultados fornecidos pelo referido inquérito, a incidência da pobreza em Angola era de 68 por cento da população, o que corresponde a uma redução de 12 pontos percentuais entre 2000 e 2005.

Falando durante a apresentação do “Relatório Económico de Angola 2005”, produzido pelo Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (UCAN), o governante disse que ainda que permaneça assimétrica a distribuição do rendimento nacional, houve alguma melhoria na taxa de pobreza.

Quanto ainda ao balanço do desempenho da economia em 2005, Pedro de Morais Júnior, indicou que o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, aferidor do nível geral das condições de vida, foi de cerca de 1.985 dólares (a preços correntes) no mesmo ano, o que representou um incremento de 57 por cento face a 2004, ano em que a renda per capita registou um valor ao redor dos 1.265 dólares.

O crescimento real da renda média dos angolanos cifrou-se em quase 17 por cento em 2005, considerando uma taxa de variação demográfica de 3,1 por cento.

O titular das Finanças adiantou ainda que, do montante global das despesas de investimento do Estado, os sectores sociais receberam 44 por cento e os sectores económicos cerca de 45%.

Seguro, José Pedro de Morais concluiu, assim, que a lógica assumida no Programa Geral do Governo 2005-2006, de ligar o investimento público à criação de condições para o crescimento dos sectores produtivos e melhoria do bem-estar das populações, teve resultados concretos e positivos. “Esta importância atribuída pelo Programa Geral do Governo às componentes mais directamente relacionadas com a melhoria das condições de vida da população é confirmada pela execução do Programa de Investimentos Públicos”, frisou.

Numa sustentação de como houve uma redução expressiva da taxa global de pobreza no país, o ministro revelou que os sectores sociais absorveram investimentos públicos na ordem dos 44 por cento do total, com uma clara predominância para a Habitação e Serviços Comunitários (51%), Saúde (23%) e Educação (19%).

O subsector dos transportes e comunicações deteve 46 por cento das despesas de investimento do sector económico, a agricultura, pescas e ambiente 28 por cento e a energia e água 17%.

Segundo ainda Pedro de Morais, já a indústria transformadora representou apenas um por cento de investimentos públicos directos, aguardando que a reabilitação das infra-estruturas físicas desempenhe o papel de facilitador da instalação/recuperação de actividades industriais no futuro.

Disse, por outro lado, que a articulação das políticas fiscal e monetária foi decisiva para o controlo da inflação, fazendo com que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mostrasse, ao longo do ano, uma tendência clara de desinflação, tendo a sua variação em 2005 ficado nos 18,53 por cento.

Para este desempenho, acrescentou o governante, contribuíram vários factores, entre eles o controlo dos agregados monetários e a estabilidade do mercado cambial, traduzida numa apreciação acumulada da moeda nacional em 57 por cento e numa redução do “spread” cambial para 4,6%.

Por sua vez, frisou ainda o ministro, o objectivo estabelecido para 2006 de 10 por cento de inflação tem sido cumprido, uma vez que a variação do IPC acumulada no primeiro semestre deste ano cifrou-se em apenas 4,85 %.

Deste modo, Pedro de Morais criticou as organizações que fazem análises “desactualizadas e falaciosas” sobre a situação económica no país. “Não posso deixar de denunciar a improcedência e a ilegitimidade de algumas análises desactualizadas e falaciosas de certas organizações não tão transparentes quanto a sua responsabilidade o exige, que insistem em submeter esta Angola da paz e da reconstrução aos mesmos critérios preconceituosos de avaliação herdados dos tempos da guerra”, disse a concluir.
 
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