Angola defende preservação de documentos sobre tráfico de escravos
25-08-2006 | Fonte: Pana Press
O ministro angolano da Cultura, Boaventura Cardoso, anunciou quarta-feira, em Luanda, a revitalização do Comité "A Rota do Escravo" visando a preservação do acervo documental ligado ao tráfico negreiro.

Cardoso, que falava por ocasião do Dia Internacional do Tráfico de Escravos celebrado quarta-feira, disse que o programa do Comité inclui conferências, promoção e divulgação de obras científicas e literárias, lançamento de catálogos bibliográficos, projecção de filmes, espectáculos e concursos infantis.

O ministro da Cultura solicitou aos angolanos para reflectir sobre a data, recordando os cerca de cinco milhões de compatriotas levados a força para Cafundo (Brasil), San Basílio de Palenque (Colômbia), Kwilu (Panamá), Matanzas (Cuba), Veja Beja (Porto Rico), Sea Island (Estados Unidos) e na povoação de São João dos Angolares (São Tomé e Príncipe).

O Dia internacional do Tráfico de Escravos foi proclamado pela Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em homenagem à insurreição dos escravos contra os seus senhorios a 22 de Agosto de 1791 em São Domingos, actual Haiti.

A proclamação da data visa perpetuar na memória da humanidade o maior movimento organizado de deportação da História e no qual estiveram envolvidos milhões de crianças, mulheres e homens originários das regiões costeiras e da África Ocidental.

Em Angola, o comércio abrangeu os Reinos do Kongo-Dia-Ntotela, de Benguela, do Ndongo, da Kissama e o Império Lunda, cujos escravos foram transportadas principalmente para América e Europa servindo de mão-de-obra barata nos campos de plantação ou produção agrícola e construção de caminhos-de-ferro, estradas, edifícios e outros trabalhos forçados.

Os primeiros escravos negros chegaram a América, onde desenvolveram trabalhos de campo, em 1441.

O processo que levou à abolição da escravatura teve início nas primeiras décadas do século XIX, através de uma campanha internacional promovida pela Grã-Bretanha e que visou o fim de tráfico dos escravos nos países colonizados.

Apesar de oficialmente a partir de 1836 o tráfico negreiro ter aparentemente terminado, a humanidade continuava a assistir a sua prática clandestina ao longo da costa atlântica de África, em particular na de Angola, tendo conhecido a sua abolição definitiva apenas em 1850.
 
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