A dura realidade do Hospital Sanatório de Luanda
30-08-2006 | Fonte: Lusa
Hospital Sanatório de Luanda, a principal unidade de saúde angolana especializada no tratamento da tuberculose, não tem água canalizada.

A situação foi referida esta segunda-feira à agência portuguesa Lusa pelo director do hospital, Luís Ebo, confirmando as declarações feitas recentemente pelo director clínico daquela unidade de saúde, Afonso Wete, que lançou um apelo às organizações não governamentais e às instituições da sociedade civil para que ajudem a inverter este quadro.

"Não temos água canalizada há bastante tempo, pelo que os trabalhadores e até os doentes têm que sair do hospital para acarretar água", afirmou Luís Ebo.

O director do Sanatório de Luanda confirmou ainda, tal como tinha revelado o director clínico, que os elevadores do hospital não funcionam há mais de duas décadas, o que obriga os doentes a serem transportados às costas.

"Confirmo que os elevadores estão paralisados há mais de 20 anos. Como há falta de macas e de cadeiras de rodas, os doentes são carregados às costas pelos familiares, o que os coloca em risco de contrair a doença", salientou.

Luís Ebo revelou ainda que o Sanatório de Luanda tem falta de camas e de colchões e que a maioria das casas de banho das enfermarias está inoperacional devido ao entupimento das fossas sépticas.

Para o director do estabelecimento, o Hospital Sanatório de Luanda "necessita de uma grande intervenção", e a verba mensal disponibilizada pelo Governo "não permite fazer obras de grande vulto, apenas chega para acções pontuais".

Em Dezembro, na última reunião do ano passado, o Executivo angolano aprovou um acordo de empréstimo de sete milhões de dólares com o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África, tendo em vista o financiamento do projecto de reabilitação e expansão do Hospital Sanatório de Luanda.

Entretanto, num discurso que proferiu segunda-feira em Addis Abeba, o ex-Presidente português e primeiro enviado especial do secretário-geral da ONU para a Luta Contra a Tuberculose, Jorge Sampaio, alertou os ministros da Saúde africanos para a necessidade de combater "sem tréguas" à tuberculose.

Para Jorge Sampaio, que falava na abertura da 56ª sessão do Comité Regional Africano na Organização Mundial de Saúde (OMS), os números desta doença no continente africano representam "uma situação insustentável", recordando que África tem 11% da população mundial, mas contribui com 25% dos casos registados em todo o mundo.
 
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