Angola e Moçambique lideram crescimento económico em África
19-10-2006 | Fonte: Lusa
Angola foi o país africano que mais cresceu este ano no continente entre os produtores de petróleo e Moçambique lidera também em termos de crescimento entre os não produtores, de acordo com um relatório da OCDE divulgado hoje.

De acordo com o relatório "Perspectivas Económicas em África 2005-2006", elaborado pelo Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, em colaboração com Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) o Produto Interno Bruto (PIB) real em Angola deverá cresceu 15,5 por cento em 2005, prevendo-se um crescimento de 26 por cento este ano e 20 por cento em 2007.

A exploração de petróleo, que representa mais de 50 por cento do PIB tem poucas ligações ao resto da economia, mas traduz-se em diversas oportunidades para o sector da construção e para "o ainda incipiente" sector dos serviços, segundo a OCDE.

"As disparidades regionais continuam a ser gritantes com o enclave de Cabinda e Luanda a beneficiarem substancialmente mais do `boom` económico do que o resto do país, que permanece isolado devido às deficientes infraestruturas, ao atraso das actividades de desminagem e à morosidade na reinstalação das populações deslocadas e dos antigos combatentes", refere o documento.

Angola pode ainda beneficiar do ambiente externo, nomeadamente o elevado preço do petróleo, para avançar nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, mas a OCDE adverte que isso "implica melhorias na transparência e no planeamento do desenvolvimento a longo prazo, bem como nos ambientes de negócios".

"Hoje, as autoridades admitem abertamente que os fenómenos de corrupção têm uma grande amplitude e reconhecem que só uma gestão pública mais rigorosa poderá conduzir à sua redução", lê-se no relatório.

O documento refere que apesar do crescimento económico verificado em África, o continente continua longe de conseguir alcançar os Objectivos do Milénio, definidos pela ONU em 2000, sendo o principal a redução da pobreza para metade até 2015.

Em relação aos países não produtores de petróleo, Moçambique foi o que mais cresceu, com uma taxa de 7,7 por cento no ano passado, prevendo-se 7,9 para este ano e 7,3 para 2007.

"Moçambique continua a representar um modelo de transição pós- conflito bem sucedido, registando um crescimento económico impressionante e gozando de uma sólida estabilidade política", refere a OCDE.

Segundo o relatório, este crescimento continua essencialmente a dever-se a "mega-projectos" de financiamento estrangeiro e a fluxos importantes de ajuda, se bem que a agricultura contribua cada vez mais para esta realidade.

No entanto, a ausência de reformas estruturais e a diminuição das despesas destinadas à reconstrução podem reflectir um abrandamento no crescimento em sectores não relacionados com os grandes projectos.

Também o clima de negócios continua a ser "adverso", em parte devido a atrasos nas reformas estruturais, sobretudo quanto à gestão dos recursos humanos, estruturas salariais do sector público e ao aparelho judicial.

Segundo o documento, que analisou 30 países africanos e cuja versão portuguesa foi hoje apresentada em Lisboa, a actividade económica em África aumentou cerca de cinco por cento em 2005, esperando-se que cresça 5,8 este ano e 5,5 em 2007, embora os países exportadores de petróleo tenham superado substancialmente as outras economias.

Os 30 países analisados no relatório representam 86 por cento da população africana e 90 por cento da actividade económica do continente.

A OCDE refere que o principal desafio de África para os próximos anos é a diversificação da economia para minimizar a vulnerabilidade das economias aos riscos naturais e de mercado.

Outro grande desafio é a concorrência a nível de potências mundiais devido à crescente influência da China e da Índia nos mercados africanos, cujo principal interesse é também os recursos naturais, especialmente petróleo, o que pode pôr em causa a diversificação das exportações.

Em declarações à Lusa à margem da apresentação do relatório, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, congratulou-se com estes indicadores da OCDE em relação a Angola e Moçambique, considerando que poderá ser uma "vantagem para os empresários portugueses" dado o relacionamento muito próximo com estes países.

Apesar do crescimento económico, estes países têm "carências em matéria de desenvolvimento", o que constitui uma "oportunidade para a política portuguesa em matéria de cooperação", acrescentou o secretário de Estado.
 
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