Igreja Universal em Angola está a rachar de alto a baixo
06-11-2006 | Fonte: Semanário Angolense (Severino Carlos)
A hierarquia em Angola da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) está a passar por uma forte crise que ameaça assumir contornos de cisão. Verificaram-se, nos últimos dias, sinais de tensão entre pastores angolanos e brasileiros desta denominação confessional originária do Brasil.

O Semanário Angolense sabe, para já, que os pastores angolanos reivindicam a sua inclusão nas estruturas de direcção da igreja em Angola, marcada pela hegemonia de pastores e bispos brasileiros. É, pois, um fenómeno de «angolanização» dessa confissão que está a nascer.

Mas se os brasileiros não cederem, a crise poderá desembocar numa cisão, tal como aconteceu há alguns anos com uma outra denominação de linha teológica neo-pentecostal, a Igreja Maná, fundada pelo português Jorge Tadeu.

Os pastores angolanos consideram que já atingiram nível suficiente para que muitos deles possam ascender à categoria de bispo e ocupar posições e funções de chefia na hierarquia d a igreja em angola. Acham mesmo que já é altura da figura máxima da congregação em Angola ser alguém originário do país.

Fonte deste jornal no interior da denominação assegurou que os brasileiros tudo têm feito para cercear as pretensões dos pastores angolanos. Em geral, um angolano que revele capacidades para liderar a igreja em Angola ou é transferido para outro país ou, pura e simplesmente, travam-lhe a progressão.

A fonte assegurou que um pastor angolano, de nome Nelson, que estava em condições de liderar a igreja e reunia o consenso entre os pastores angolanos e entre os fiéis, foi abruptamente transferido para o Reino Unido.

Em paralelo com a crise na cúpula, são igualmente perceptíveis sinais de descontentamento cá em baixo, entre os fiéis. Além de estarem desagradados os aspectos relativos à liderança, eles também já torcem o nariz à política de dízimos e ofertas praticada pela igreja. A fonte do SA considera que os fiéis «amadureceram» diante das críticas com que sectores de fora da Iurd têm fustigado a sua prática nessa matéria, qualificada como uma autêntica extorsão.

A fonte garante que ultimamente isso tem vindo a reflectir-se numa acentuada quebra das arrecadações em ofertas e dízimos, «visível a olho nu durante as sessões da igreja». «As pessoas continuam nas capelas, mas agora fazem poucas ofertas e quando o fazem já não dão tudo o que têm».

A cúpula brasileira parece estar a acusar o toque. De sorte que terá ordenado aos pastores para adoptarem comportamentos menos ostensivos quando se trata de pedir dízimos e ofertas. Pondera-se também, reduzir de duas para uma as campanhas anuais «Fogueira Santa de Israel», nas quais a direcção da igreja se desloca a Terra Santa com pedidos e votos dos fiéis, sustentados por elevados sacrifícios financeiros. A Iurd é geralmente considerada uma denominação das mais «agressivas» nessa matéria, orientando a sua «liturgia» praticamente para o objectivo de arrecadar ofertas e dízimos.

Muitos fiéis fazem oferendas sob coação psicológica, algo que não parte apenas das suas sessões e cultos. À semelhança do que acontece noutros países em que se instalou, em Angola, a igreja fundada pelo brasileiro Edir Macedo também já conta com o suporte de programas radiofónicos e televisivos, e até mesmo de publicidade em meios diversos, incluindo Outdoors.
 
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