Falta de água causa morte a milhões de crianças em Angola, revela PNUD
10-11-2006 | Fonte: VOA (Amélia Mendes)
Angola está na centésima sexagésima primeira posição do relatório sobre o índice de desenvolvimento humano deste ano publicado pelo PNUD na Cidade do Cabo, África do Sul.

Tendo como tema de destaque a água, o relatório revela a crise crescente de água e de saneamento, que causa quase dois milhões de óbitos infantis por ano, necessita urgentemente de um plano de acção global, informa o relatório de desenvolvimento humano 2006 que reivindica o direito humano de 20 litros de água potável por dia para todos.

Em grande parte do mundo em desenvolvimento a água imprópria para consumo representa uma ameaça maior para a segurança humana do que os conflitos violentos.

Anualmente 1,8 milhões de crianças morrem de diarreia, o que poderia ser evitado com acesso à água potável e instalações sanitárias, 443 milhões de dias lectivos são perdidos, devido a doenças transmitidas pela água e quase 50% da população total dos países em desenvolvimento sofre, a dada altura, de um problema de saúde causado pela falta de água e do saneamento.

Para além dos custos humanos, a crise da água e do saneamento, trava o crescimento económico, com a África subsariana a perder 5% do PIB anualmente, muito mais do que a região recebe em ajuda.

Angola ainda está muito longe de alcançar os volumes recomendados no relatório a julgar por alguns dados recolhidos que se referem à situação particular do que se vive na capital angolana.

O volume de água disponível actualmente é de 346 milhões de litros de água por dia, que chega apenas a cerca de 2 milhões e meio de habitantes e só Luanda deve ter, neste momento, mais de cinco milhões de habitantes, o que significa dizer que o défice é muito grande. Algumas famílias vivem com 10 metros cúbicos ou seja 10 mil litros, o consumo mínimo, o ideal seria pelo menos que cada pessoa tivesse direito a 60 litros por dia.

A menos de uma década da data estabelecida para alcançar os objectivos de desenvolvimento do milénio, 2015, esta situação tem de ser alterada.

O relatório refere que os governos devem despender 1% do PIB em água e saneamento. Converter a água num direito humano e fazer com que seja cumprido, toda a gente deveria dispor de pelo menos 20 litros de água potável por dia e as pessoas carenciadas deveriam obtê-la gratuitamente.

Muitas pessoas carenciadas vivem com menos de 5 litros de água contaminada por dia, enquanto que no Reino Unido ou nos Estados Unidos mandam 50 litros para o esgoto diariamente simplesmente puxando o autoclismo.

O relatório recomenda ainda a todos os governos que não se detenham em vagos princípios constitucionais na promulgação de legislação que garanta o direito humano a um abastecimento de água seguro, acessível e a preços razoáveis, o que implica no mínimo, uma meta de pelo menos 20 litros de água potável por dia para cada cidadão e sem qualquer custo para as pessoas com falta de meios para o seu pagamento.
 
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