Sensibilizar para o Registo eleitoral, que benefícios para os agentes económicos?
17-11-2006 | Fonte:
Noto com alguma perplexidade, nas minhas viagens de táxi, “maximbombo”, em conversas privadas e nos “trumunos” de fim de semana, uma certa descrença nas instituições, nos governantes, nos políticos e nos assuntos candentes que dominam o nosso quotidiano e concomitantemente um relativo alheamento da população relativamente ao processo de registo eleitoral que está a decorrer no país.

Uma democracia não pode existir concretamente sem que os cidadãos conheçam seus direitos, obrigações e interesses, e estejam dispostos a defendê-los. A defesa mais fundamental de todas é aquela propiciada pelo voto. Votar conscientemente significa influir nos rumos da sociedade. E só se pode votar tendo feito antes o registo eleitoral.

Partindo do princípio de que a politica é a participação pública ou cívica nas tarefas inerentes a sociedade em que estamos inseridos, todos nós acabamos no fundo por ser políticos, uns passivos e outros activos, e o afastamento ou apatia às questões políticas significa dar um cheque em branco à aqueles que decidem o nosso futuro, cito o nosso compatriota Pedro Romão.

É neste sentido que penso, que o processo de educação cívica deve estender-se também às empresas, praças, escolas e ministérios, porque elas estão comprometidas com valores democráticos e atentas à vida política do país. Para além de muitas estarem envolvidas em vários projectos de carácter social, deveriam aproveitar esta oportunidade para transformarem-se durante essa fase numa autêntica escola de cidadania, estimulando o esclarecimento aos seus funcionários, fornecedores e clientes sobre a importância do registo eleitoral, das eleições e da consolidação da democracia. Para isso poderiam contar com o apoio do “Projecto Eu Acredito” ou de vários outros parceiros do CIPE e uma série de acções apartidárias para sensibilizar os seus públicos internos sobre o papel de ser eleitor ou mesmo através de grupos de teatro para poder despertar a atenção dos funcionários. Por meio de seminários, palestras, convidando mesmo algumas pessoas com opinião ou mesmo funcionários capazes de levar a cabo a tarefa, cartilhas e materiais específicos, onde se poderá explicar o funcionamento e actuação dos três poderes, a estrutura do processo eleitoral e fornecer alguns dados históricos, além de que se podem fornecer dicas gerais e como estas informações podem ser encontradas na net ou noutros mecanismos de busca.

Porque se partirmos do princípio de que as eleições por vezes trazem novas formas de governação, formas de pensar, novas e diversificadas estratégias geopolíticas e geo-económicas, politicas específicas, e por vezes mudanças radicais de governação, é óbvio que de uma forma directa ou indirecta haverá implicações que poderão ou não afectar a performance das empresas, Ministérios e por conseguinte da vida dos seus funcionários.

Aspectos tributários, económicos, políticos, relações externas e sociais interferem directamente no desempenho e na continuidade dos negócios e no crescimento do Estado, do País, da zona ou de uma dada região. No momento das eleições, é fundamental a análise das correntes político-partidárias, das propostas, das linhas de acção de cada candidato, cientes de que o voto é um instrumento de poder ao serviço da democracia e dos cidadãos.

Cada acto do executivo governamental ou cada lei criada pelo parlamento pode estar potencializando o poder de empregabilidade das empresas ou forçando-as a demitir. Actualmente, é muito difícil compatibilizar as correntes que direccionam as acções políticas, pois a definição entre priorizar questões sociais, obras estruturais ou mesmo incentivos para o crescimento empresarial são extremamente polémicas e de difícil homogeneização de conceitos.

Entretanto, é essencial que todas as classes estejam atentas para que o correcto equilíbrio seja mantido, salvaguardando as prioridades necessárias para que as empresas possam assimilar com rapidez as mudanças no contexto macroeconómico mundial e possam continuar gerando riquezas e ajudando na construção de uma sociedade mais justa. Por isso, é de vital importância estarmos atentos aos rumos propostos pelos nossos governantes e legisladores, dentro do âmbito, “bairral”, municipal, comunal, zonal, regional, provincial ou mesmo nacional.

As empresas sobrevivem e crescem muito mais num ambiente político moderno e todos nós, como formadores de opinião, temos uma grande responsabilidade, pois o processo de registo que depois conduzirá à realização de eleições tem uma importância fundamental para delinear como será o nosso país no futuro e, consequentemente, nossas vidas. Além disso, de forma alguma podemos nos esquecer de que as definições nacionais proporcionam a base para as integrações regionais, com reflexos ainda mais fortes sobre o nosso ambiente económico.

Buscar um futuro melhor para o País começa com a nossa participação no registo eleitoral que criará as bases para a realização de eleições no qual as pessoas participam votando de uma forma séria, honesta e consciente. A hora é essa, depois não digam que eu não avisei!

Artigo de opinião assinado por João Lusevikueno
Membro do Projecto Eu Acredito!
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação