«A relação com a China amanhã», por Belarmino Van-Dúnem
17-11-2006 | Fonte:
Face aos critérios de elegibilidade que o Banco Mundial, FMI e OMC apresentam para financiar os projectos de desenvolvimento dos países em vias de desenvolvimento, não há dúvidas que a China é uma alternativa viável.
A cooperação com a China tem várias vantagens:
a) Assegura a reciprocidade sem se imiscuir nos assuntos internos do Estado receptor;
b) As dimensões continentais da China dão possibilidades de se aceder a um dos mercados mais promissor do Séc. XXI;
c) A tecnologia de ponta do Ocidente está concentrada nos pólos de desenvolvimento da China.

A Cimeira de Beijing 2006 é elucidativa, começando pelos grandes nomes da diplomacia africana actual; Thabo Mbeki da África do Sul, Olusengun Obasanjo da Nigéria, Abdelaziz Bouteflika da Argélia, Abdoulaye Wade do Senegal, Meles Zenawi da Etiópia, Hosni Moubarak do Egipto, Sassou Nguesso do Congo e presidente em exercício da União Africana, mas também fizeram parte da comitiva africana, Bongo Ondimba do Gabão, El Béchir do Sudão, Faure Eyadema do Togo e chefes de governo representando os seus Estados. O Presidente Chinês, Hu Jintão, foi anfitrião de 41 chefes de Estado de governo de África.

Na cimeira foi adoptada a Declaração e o Plano de Acção de Beijing (2007-2009), definindo a cooperação entre a China e África.

As trocas comerciais entre a China e África excederam os 2 milhões de dólares no ano 2000, seis anos mais tarde esse valor já está duplicado. Até 2009 Hu Jintão promete duplicar a ajuda para África, dar novo bónus, disponibilização de 3 milhões de dólares de crédito preferencial, 2 milhões de dólares em crédito de compra nos próximos três anos. Também disponibilizou 5 milhões de dólares para o Fundo de Desenvolvimento para África destinado à incentivar as empresas chinesas a investir em África e, por último, o compromisso de formar, em três anos, 15000 africanos nos diversos domínios.

Todas essas vantagens devem ser equacionadas numa visão de longo prazo. Angola, como 2º maior parceiro da China em África, devia criar uma estratégia para assegurar sustentabilidade da sua relação com a China até agora vantajosa.

Urge a necessidade de formar quadros especializados em questões chinesas: técnicos básicos para gestão e manutenção da tecnologia chinesa; sociólogos e antropólogos para que saibamos ser bons anfitriões dos chineses. Mas também para nos defendermos contra possíveis anomalias; tradutores para que possam informar e ser informados sobre o que fazem e as perspectivas futuras. A previsibilidade é uma condição indispensável nas relações internacionais, evitando constrangimentos futuros.

A China é uma potência em todos os sentidos do termo: extensão territorial, exército, população e economia. As suas ambições vão para além do presente, por isso é necessário ter cautelas porque podemos hipotecar o futuro dos nossos netos.

Artigo de opinião assinado por Belarmino Van-Dúnem
- Professor Universitário
- Mestre em Estudos Africanos - Desenvolvimento Social e Económico em África: Análise e Gestão
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação