Angola continua entre os piores do Mundo para ser criança
11-12-2006 | Fonte: VOA
Angola continua a ser o segundo pior país de África para uma criança viver de acordo com o último relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância que refere registar-se 282 mortos por cada mil nascidas.

Atrás de Angola só se encontra a Serra Leoa, enquanto que entre os demais países africanos de língua oficial portuguesa o melhor é Cabo Verde com 35 mortos por cada mil, seguido de São Tomé e Príncipe com 118, Moçambique com 145 e a Guiné-Bissau com 200.

“O UNICEF estar a lançar este relatório hoje eu acho que é muito importante porque sabemos que dar poder a mulher ajuda a salvar as crianças. Sabemos que para ajudar as crianças temos que capacitar as mulheres a nível do UNICEF no mundo e em Angola nós temos recomendações e sugestões de como podemos ajudar para atingir isso”. Ângela Kearney, representante do UNICEF em Angola.

De acordo com o relatório, a África Sub-Sahariana apresenta a esperança média de vida mais baixa do mundo com 46 anos, enquanto que a média mundial é de 68 anos. Em relação ao número de crianças até aos 14 anos infectadas com HIV/SIDA, esta região é também a pior do mundo com 2 milhões de um total de 2,3 milhões. A nível dos PALOP o pior é também Angola com 35 mil seguido de Moçambique com mais de 14 mil.

A representante do UNICEF falou-nos igualmente do número expresso no relatório de pessoas infectadas pelo SIDA, já que sabemos que a nível da África sub-Sahariana Angola é o país que tem o índice de prevalência mais baixo.

“Nós recolhemos dados e estamos com dados reais, aqui em Angola em 2001 fizemos um inquérito de indicadores com muitos dados das crianças e mulheres e os resultados foram publicados em 2003. É verdade que a prevalência em Angola felizmente é mais baixa que no Zimbabwe, Botswana e África do Sul, mas ainda temos que ter muito cuidado, porque as mulheres e as raparigas são as mais afectadas pelo HIV/SIDA e são elas que não têm a possibilidade de educação, mulheres que têm de trabalhar muito mais no campo e também as mulheres não ganham no fim do mês o mesmo que um homem que faz o mesmo trabalho, as mulheres e as meninas sofrem muito mais a violência em casa, são batidas mais que os homens”.

A violência física e sexual afecta 223 milhões de menores de 18 anos, dois terços dos quais raparigas, sendo que 1,8 milhões são levadas a prostituírem-se.

Há 132,7 milhões de órfãos 15,2 milhões dos quais viram a SIDA e 2 milhões menores de 15 anos são seropositivos, 15 milhões de crianças nunca foram à escola, esta é a realidade da infância no mundo descrita no relatório «Situação Mundial da Infância 2007» do UNICEF, dedicado à igualdade do género, porque o sexo feminino é mais desigual entre desiguais.

No que toca à situação do trabalho infantil o relatório aponta uma vez mais a África com a pior situação já que 37% das crianças entre os 5 e os 14 anos já trabalham.

Recorde-se que, a criação do UNICEF há 60 anos trouxe a criança para o centro do debate já que nesta área ainda há um longo caminho a percorrer num mundo onde 10 milhões morrem anualmente com doenças evitáveis.
 
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