Desenvolvimento da província do Bié a passos positivos
26-12-2006 | Fonte: Angop
A província do Bié, uma das regiões do centro de Angola mais afectada pela guerra em quase 30 anos no país, tem vindo a conhecer nos últimos tempos, sobretudo neste ano, uma gradativa recuperação, graças a obras de construção, reabilitação e ampliação das principias infra-estruturas destruídas durante o conflito.

Com uma população estimada em mais de dois milhões de habitantes, espalhados por nove municípios, o seu desenvolvimento, segundo o governador provincial local, José Amaro Tati, é fruto do empenho do governo central em ver melhoradas as condições de vida da população e atrair investimentos estrangeiros, dando uma nova imagem às infra-estruturas degradadas.

Para tal, logo após o fim do conflito, em 2002, foi lançado o Programa Especial Mínimo de Reconstrução da cidade do Kuito, que resultou na completa reabilitação da sede do Governo Provincial, do Palácio do governador, da Administração Municipal do Kuito, da Assembleia Provincial, Comarca Local, assim como das principais vias de acesso à cidade".

No âmbito do Programa de Melhorias e Aumento da Oferta dos Serviços Sociais Básicos às Populações 2006/2007, o governo construiu, reabilitou e ampliou a maior parte das escolas, unidades sanitárias, administrações municipais e comunais, sistemas de distribuição de electricidade e água canalizada da região.

No sector rodoviário, está em curso a ampliação, reparação e construção de vias de acesso à província, com destaque para estradas que a ligam ao Huambo, além dos troços Andulo/Cuemba/Chitembo.

Quanto à agricultura, o Bié, apesar de ainda viver carências, sobretudo de recursos humanos, a província, segundo dados do governo local, foi capaz de em perto de três anos dispensar as ajudas humanitárias e se auto-sustentar. No entanto, para resolver o problema da falta de pessoal agrícola, está a ser construído o Instituto Superior Agrário do Andulo, que terá uma capacidade para 1660 alunos internos e externos.

Sobre a produção agrícola, Amaro Tati é de opinião que os avanços são tão significativos que as autoridades locais já têm no excedente da sua produção um problema, pois grandes quantidades de batata rena, milho e feijão se estragam por falta de procura local e escoamento para outros pontos do país.

Para o governante, parte da solução depende da reentrada em funcionamento do Caminho-de-Ferro de Benguela, prevista para 2007, pois vai certamente facilitar e agilizar a transportação de matéria-prima.

O Caminho-de-Ferro de Benguela vai atravessar toda a província do Bié para atingir a do Moxico, um factor importante para a troca comercial entre as duas regiões do país e até fora, tais como, directamente, as Repúblicas da Zâmbia e do Congo Democrático e, indirectamente, outros estados da região dos grandes lagos.

A par desta empreitada, a província vai ganhar outro meio de recepção e despacho de pessoas ou mercadorias, factor de suma importância para o desenvolvimento do Bié, trata-se da reabilitação e ampliação da pista do Aeroporto Joaquim Kapango, nas proximidades da cidade de Kuito, cuja conclusão, marcada para o primeiro trimestre de 2007, é aguarda com muita expectativa.

Os trabalhos no aeroporto, a cargo da construtora portuguesa Paviterra, tiveram início em 2005 e consistem no reforço e ampliação da pista do aeródromo com a injecção de solo-cimento, reperfilação das bermas, requalificação dos caminhos de circulação e placas, construção de sistema de drenagem de água das chuvas, bem como a sinalização da pista.

Orçado em 18 milhões de dólares, a segunda fase da empreitada, de acordo fontes ligadas ao projecto, vai estar assente na vedação completa do local, reestruturação das vias adjacente à pista e a modernização do terminal de passageiros.

Em degradação desde 2002, face ao mau estado do pavimento, grande parte do qual era de terra batida que só permitia a aterragem de aviões de pequeno porte, a futura pista, segundo o projecto, terá dois mil e 500 metros de comprimento e 60 de largura.

Após a sua reabilitação, a nova pista do Aeroporto Joaquim Kapango permitirá a aterragem e manobra de aviões de carreira internacional.

Com todos estes projectos, espera-se, pois, em 2007, a continuidade da recuperação da província e o seu desenvolvimento em pouco tempo.
 
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