4 de Fevereiro: da libertação do jugo colonial ao alcance da paz efectiva
04-02-2007 | Fonte: Angop (Por Miguel César)
Quarenta e seis anos são passados desde que um grupo de nacionalistas angolanos, armados com catanas, paus e outros objectos de defesa, lançaram assaltos em simultâneo à Cadeia de S. Paulo, à Casa de Reclusão de Luanda e outras instituições da administração colonial portuguesa, numa manifestação ímpar da vontade popular de liberdade e independência.
Este acto de bravura, protagonizado por nacionalistas na sua maioria de origem humilde, mas com um elevado sentido de patriotismo, incentivou os cidadãos nacionais a mobilizarem-se para a árdua luta pela autoderminação, dignidade e liberdade para governarem os seus próprios destinos.
O ataque, que marcou o rompimento com a opressão, ocorreu na madrugada de 04 de Fevereiro de 1961, uma data que passou a ser das mais importantes da história de Angola, a par do 11 de Novembro de 1975, altura em que Angola tornou-se independente.
Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Mayor e Neves Bendinha foram alguns dos responsáveis pela coordenação do assalto, que tinha como principal objectivo libertar os presos políticos angolanos, acusados pelo regime português de actividades subversivas a favor da independência de Angola.
O ataque realizado há 46 anos deveria ter envolvido cerca de 2.100 pessoas, mas as detenções realizadas nos dias anteriores na sequência de várias denúncias, fizeram reduzir esse número para algumas centenas.
Os preparativos do heróico acto começaram em Outubro de 1960, com questões mais práticas como manejar as catanas ou desarmar uma sentinela.
Os treinos decorriam durante a noite no município de Cacuaco, arredores de Luanda, passando depois para o Cazenga, quando os nacionalistas começaram a recear as infiltrações da Pide, a polícia política portuguesa.
A escolha do dia do ataque teve em atenção o facto de estarem na capital angolana nessa altura muitos jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada a Luanda do paquete Santa Maria, assaltado alguns dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um oposicionista do regime de Salazar.
Quando ficou claro que, afinal, o navio não viria para Luanda e os jornalistas começaram a preparar-se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque antes que fossem todos embora. Esta acção levou António Oliveira Salazar a enviar para Angola os primeiros contingentes militares destinados a reforçar os reduzidos efectivos destacados em Angola.
O regime colonial fascista reagiu brutalmente e respondeu com uma acção de repressão em todo o país, com assassinatos, torturas e detenções arbitrárias contra os nacionalistas e várias pessoas indefesas, acto que levou alguns nacionalistas a organizarem-se para a luta de libertação.
Este ano, o 04 de Fevereiro é comemorado numa altura em que os cidadãos se predispõem a continuar fiéis aos ideais dos nacionalistas, lutando pela consolidação da paz e reconciliação nacional, um projecto que visa catapultar o país aos níveis de desenvolvimento que permitam elevar o bem-estar das populações e aprofundar e consolidar o Estado democrático de direito.
Alcançada a paz, cada cidadão deve absorver os exemplos de bravura, sabedoria e heroísmo de todos quantos se bateram pela libertação da pátria, com vista a incutir nos construtores desta nova nação a firmeza necessária à edificação de um país forte, próspero, democrático e plural.
Os cinco anos de paz, devem servir de reflexão sobre os desafios que se impõem a cada cidadão, que é chamado para dar o seu contributo na árdua tarefa da reconciliação, para que a guerra nunca mais regresse.
Só assim estaremos a honrar todos aqueles que directa ou indirectamente verteram o seu sangue para uma Angola livre e democrática.
O 04 de Fevereiro está a ser assinalado com diversas actividades políticas, culturais, patrióticas, recreativas e desportivas.
O ponto mais alto das comemorações tem lugar na vila do Golungo Alto, que dista 54 quilómetros a norte da cidade de Ndalatando, capital da província do Kwanza Norte, com inaugurações de empreendimentos socio-económicos, como de uma escola do II e III níveis, do hospital local e da via rodoviária entre Golungo-Alto e Ngonguembo.
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