Aborto clandestino mata dez mulheres em cem na capital do país
05-02-2007 | Fonte: Agora
O receio das adolescentes em enfrentar os pais e o facto de muitas mulheres engravidarem apenas para saber se são férteis, são as principais causas que as levam a recorrerem à interrupção voluntária da gravidez.

Cerca de dez por cento das mortes maternais registadas na maternidade Lucrécia Paím, em Luanda, são consequência do aborto clandestino. Esta informação foi avançada pelo Director dos serviços de assistência ambulatória da maternidade Pedro de Almeida, durante uma entrevista que concedeu a Agência de Notícias Lusa.

“As mortes maternas registadas na maternidade são de 1.500 óbitos por cada cem mil nados vivos e dez por cento dessas mortes estão ligadas à prática do aborto inseguro e de forma clandestina”, disse Pedro de Almeida.

À prática do aborto, considerada crime em Angola, recorrem habitualmente mulheres com idades inferiores aos 25 anos, alegando a falta de condições sociais, o elevado número de filhos, a falta de casa e a recusa da paternidade, cita o «Semanário Agora».

Segundo Pedro de Almeida, na maioria dos casos, os abortos são efectuados por profissionais de saúde que não são especialistas em ginecologia ou em obstetrícia. “ Os hospitais não devem fazer o aborto porque é proibido por lei e os que o fazem estão a infringir a lei. Mas pode-se recorrer à interrupção terapêutica da gravidez, quando a vida da mãe corre perigo”, disse Pedro de Almeida, também docente da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto.

Para a notificação desses casos, a Polícia tem um piquete montado na maternidade. “A maternidade não apresenta queixa, mas a Polícia faz com que a paciente revele quem efectuou o acto para a pessoa ser levada à Tribunal”, explicou.

A lei prevê uma pena de prisão de dois a oito anos para quem, profissionalmente fizer abortar uma mulher.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário