Angolanos têm saúde fragilizada
05-02-2007 | Fonte: A Capital
O relatório que se baseou em dados de até 2006 traça um quadro epidemiológico caracterizado por uma generalização de doenças transmissíveis e parasitárias com grande incidência na malária, doenças respiratórias (com destaque para a tuberculose pulmonar) e diarreicas agudas. Estas três doenças segundo o REGA (Relatório do Estado Geral do Ambiente em Angola), representam cerca de 90% dos casos de doenças nos últimos anos. O VIH/SIDA, a tripanossomíase, lepra e schistossomíase mais a desnutrição, juntam-se a este leque de males.

A malária continua a ser a principal causa de morte em Angola, principalmente em menores de 5 anos e é responsável por cerca de 35% da procura de cuidados curativos, 20% do internamento hospitalar, 40% das mortes peri-natais e 25% de mortalidade materna.

“Cerca de quatro milhões correm o risco de contraírem a tripanossomíase, registando-se maior incidência nas áreas rurais. Estima-se entre 80 mil e 120 mil o número de pessoas com a doença. A schistossomíase é endémica em cerca de doze províncias. O estudo revela que as crianças entre os cinco e catorze anos são as mais afectadas, com índices de infecção de 40% à 70%.

O relatório sublinha a grande carência de medicamentos essências, sendo a acesso da população a eles ainda muito limitado. Relativamente a saúde materna, estima-se que apenas 45% dos partos tenham sido assistidos por pessoal qualificado. Este nível reduz-se para metade nos grupos populacionais mais pobres.

Os centros de saúde são escassos, os poucos que existem estão concentrados nas áreas urbanas. Por outro lado, adianta o relatório, têm surgido centros e postos de saúde em muitas áreas sem condições para actividades medicinais.

Quanto a rede sanitária, revela que existem no país 27 hospitais nacionais e provinciais, dos quais, 10 em Luanda, 291 centros de saúde e hospitais municipais, e 934 postos de saúde. Calcula-se que apenas 30-40% da população tenha acesso as instalações de saúde em condições de funcionamento, localizadas a menos de cinco quilómetros do local onde residem.

Citando dados recentes, o REGA, observa que cerca de 40 centros de saúde e 209 postos de saúde não funcionam, e muitos mais vivem sérios problemas de funcionamento devido a falta de técnicos qualificados e a ausência de um sistema regular de abastecimento.

O Relatório do Estado Geral do Ambiente em Angola (REGA), publicado em Luanda, por ocasião do dia Mundial do Ambiente assinalado Quarta – feira, 31/01, considera o estado da saúde da população de “extremamente fragilizada”. De um lado por causa da guerra que destruiu as infra estruturas sanitárias e de transportes, dificultando o acesso aos serviços, por outro lado, por factores como a pobreza generalizada, indisponibilidade de água potável, falta de saneamento, exiguidade de informação e insuficiente rede de distribuição de alimentos com valor nutritivo adequado.
 
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