Santa Corrupção
06-03-2007 | Fonte: Agora
A corrupção no país pode ser considerada como estando institucionalizada, a julgar pela amplitude que tomou e pela forma como é tratada por algumas figuras proeminentes.

A fazer fé nas palavras do procurador-geral da república pode-se mesmo dizer que não será tão cedo que muitas das pessoas envolvidas em crimes de corrupção, na sua maioria bem posicionadas, irão parar à cadeia.

De acordo com Augusto Carneiro(na foto), que esta semana esteve em Joanesburgo, África do Sul, onde participou numa mesa redonda da SADC, sobre a implementação do Protocolo Contra a Corrupção no continente, apesar de existirem no país muitos casos de corrupção a maioria deles não chega aos tribunais.

O magistrado sublinhou que “em termos de queixas na justiça, chegam muito menos casos do que realmente se passa”, tendo acrescentando que devido a ausência de uma autoridade contra a corrupção os casos deste fórum são tratados de forma geral razão pela qual não é possível fazer-se um balanço estatístico sobre o fenómeno.

“A investigação e instrução dos casos de corrupção são levados a cabo pela Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), devido a ausência de uma autoridade específica para o efeito”.

A verdade é que a corrupção, cujos os protagonistas, ao que se diz, estão no Governo e no Parlamento, continua galopante.

Estas pessoas, devido a fragilidade legislativa, continuam também impunes com relação aos crimes de responsabilidade política, pois nunca foram responsabilizadas civil e criminalmente quando atentam contra a Constituição e o Estado Democrático, sejam quando violam normas de execução orçamental.

A corrupção no país pode ser considerada como estando institucionalizada, a julgar pela amplitude que tomou e pela forma como tem sido tratada por algumas figuras proeminentes do país como é o caso do Presidente Eduardo Dos Santos e Fernando Dias da Piedade dos Santos “Nandó”, primeiro – ministro.

O primeiro, para justificar o índice elevado de corrupção que grassa o país, havia dito alto e bom som que “ninguém vive do salário” enquanto Nandó na altura nas vestes de Comandante – geral da Polícia tentou minimizar a situação ao dizer que “a gasosa é um entendimento entre o agente da Polícia e o cidadão.

Os corruptos e corruptores estão bem identificados mas como a corrupção já faz parte da galáxia de muito “boa gente” e até mesmo as instituições competentes não ousam responsabiliza-los.

Pelo menos no Zimbabué, o chefe de Estado acusou publicamente os altos responsáveis do seu Governo de corrupção.

Robert Mugabe, que falava para a televisão nacional, disse que estes governantes se dedicam entre outras coisas a exportação fraudulenta de minerais preciosos.

Várias personalidades, incluindo ministros, foram associadas a casos de tráfico de ouro e diamantes pela Polícia, mas nenhum nome foi denunciado, nem houve qualquer detenção.

A corrupção custa no Zimbabué milhões de dólares americanos e agrava as dificuldades económicas neste país que enfrenta sanções impostas pelos países ocidentais.

Segundo Mugabe, que é actualmente objecto de pressões externas para pôr termo a corrupção no país numa altura em que as dificuldades económicas se fazem sentir cada vez mais entre a população, existe uma cada vez maior pretensão a acumulação de riquezas de maneira cúpida e as pessoas não têm limites.
 
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