Savimbi confiou muito dinheiro à guarda de «amigos do peito»
11-03-2007 | Fonte: Semanário Angolense
Cinco anos após a morte de Jonas Savimbi nas matas do leste de Angola, muito ainda está por se saber sobre o «velho guerrilheiro».

Sobre o seu «harém» já muito se falou, tendo acontecido o mesmo em relação às principais linhas do seu projecto político. Também já se disse alguma coisa sobre os diamantes do falecido líder da Unita. Essa matéria foi, de resto, alvo de acesas discussões no último congresso da Unita, realizado em 2003, em Viana, altura em que vários membros da organização acusaram Paulo Lukamba Gato de se ter apropriado de parte significativa das gemas que Savimbi tinha em seu poder quando foi colhido pela morte, em 22 de Fevereiro de 2002.

Porém, pouco se fala sobre a fortuna deixada por Jonas Savimbi, ele que durante os anos de guerrilha acumulou biliões de dólares provenientes da venda de diamantes de sangue. É, aliás, com este dinheiro que comprou armamento sofisticadíssimo – inclusive o temível Uragan – e sustentou por anos a fio a guerrilha contra o Governo.

É verdade que nunca ninguém conseguiu dizer ao certo quanto é que a Unita fez com a venda de diamantes. Mas estima-se que no auge da exploração, a Unita teria obtido ganhos anuais de um bilião de dólares, quase duas vezes mais do que o Governo explorava na época. O pouco que se sabe é que todo este dinheiro era gerido por Jonas Savimbi.

Nos últimos meses têm circulado informações, ainda não confirmadas, de acordo com as quais a Central de Inteligência Americana (Cia) estaria há muito no encalço do dinheiro deixado pelo líder histórico da Unita. Neste sentido há mesmo especulações segundo as quais o «velho» pode ter depositado dinheiro em paraísos fiscais como as Ilhas Caimão ou mesmo na longínqua Austrália.

O Semanário Angolense apurou de boa fonte que o dinheiro de Jonas Savimbi começou a esfumar-se mais ou menos em 1997, altura em que as Faa intensificaram o cerco às suas tropas, após a fracassada tentativa de tomada da cidade do Kuito por parte do general Altino Sapalo «Bock».

Assim, prevendo que iria ficar muito tempo no interior de Angola, bem como dificuldades de monta na comunicação entre as estruturas do interior e a Missão Externa, o falecido líder da Unita teria confiado a guarda do dinheiro do seu movimento a alguns «amigos do peito», ou seja, os seus principais apoiantes africanos na sua cruzada contra o Governo.

A fonte do Semanário Angolense assegurou que, em 1998, Jonas Savimbi entregou à guarda do antigo presidente da Costa do Marfim, Henri Konan Bedié, a «parte de leão» do dinheiro da Unita. A entrega do dinheiro foi pessoalmente acompanhada pela irmã mais velha de Savimbi, Judite Pena, que então residia na capital ivoriense. A decisão de colocar o dinheiro da Unita na Costa do Marfim foi também interpretada como uma «passagem de testemunho» a favor de Judite Pena.

Quem também seguiu de perto a operação foi John Marques Kakumba, homem da inteira confiança dos marfinenses que o líder histórico do Galo Negro foi «pescar» no «iner circle» de Félix Houphouet Boigny, o primeiro presidente da Costa do Marfim.

Ainda de acordo com a fonte do SA, outra parte do dinheiro ficou à guarda do também já falecido presidente do Togo, Gnasimbe Eyadema, bem como do igualmente finado Rei Hassan II, do Marrocos. As fontes que falaram ao SA sob anonimato não conseguiram precisar os montantes que Savimbi repartiu pelas diferentes «capelinhas», mas não têm a menor dúvida que a operação envolveu largos milhões de dólares.

As fontes não descartaram a hipótese de alguns dos mais directos colaboradores de Savimbi, colocados no que era chamada Missão Externa, terem ficado com parte substancial do dinheiro da Unita, sendo a figura mais referenciada a de João Marques Kakumba, que já foi representante do Galo Negro na Costa do Marfim. Segundo a fonte do SA, Savimbi entregou também um bom montante do seu dinheiro ao falecido Hassan II de Marrocos. Com a morte do rei e eventual sucessão, o dinheiro de Savimbi, parece ter desaparecido por completo.
 
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