Água um bem precioso mas mal gerido em Angola
22-03-2007 | Fonte: VOA
A distribuição de água por pessoa estimada em 1.000 metros cúbicos dia é deficiente em Angola enquanto que entre regiões ela escasseia de Norte a Sul tornando mais de um terço do território desértico ou semi desértico o que contrasta com os números sobre o potencial hidrográfico.

Por ocasião do dia mundial da água, que hoje se assinala sob o lema «Enfrentando a escassez de Agua», o Ministério da Energia e Águas de Angola escreve em uma nota distribuída em Luanda que para fazer frente a ma distribuição do precioso líquido tem já aprovado planos directores de curto e médio prazos para as diferentes cidades do país.

Assim «estão a ser desenvolvidos esforços para por em marcha um programa de obras de regularização das principais bacias hidrográficas de modo a torná-las potenciais armas de combate aos fenómenos extremos de cheias e seca».

O potencial hidrográfico de Angola, em conjunto com os dois Congos, representa mais de metade dos recursos hídricos do continente africano, sendo considerado por especialistas como uma provável mola impulsionadora da integração económica e social da África Central.

De acordo com a última edição do Relatório Económico de Angola, a água existente nos três Estados atinge a fasquia dos 60 por cento, onde Angola se apresenta como um dos principais beneficiados.

A título de exemplo, a pesquisa refere que a região angolana entre os rios Kwanza e Catumbela (províncias de Malanje, Bié, Huambo, Benguela, Kwanza Norte e Sul) concentra 80 por cento do potencial hídrico inventariado no país.

Deste potencial, o rio Kwanza, o maior de Angola, detém 45 por cento, podendo ser nele construídas 11 barragens. No entanto, no médio Kwanza já estão edificadas as centrais hidroeléctricas de Kapanda e de Cambambe, existindo entre as duas mais sete projectos do género.

O estudo também faz referência à bacia hidrográfica do rio Keve, onde poderão ser edificados oito projectos. Não parando por aí, as projecções do Relatório Económico de Angola avançam a possibilidade de construção de dez barragens na bacia do rio Lucala, enquanto no Cunene estão planeados 12 esquemas hídricos.

No dia mundial da água, a OMS recorda que mais de 1,6 milhões de pessoas morrem anualmente por falta de água potável e um sistema básico de saneamento. Destes afectados 90% são crianças menores de cinco anos.

Quando a agua rareia, diz a OMS, muitos populares vêem-se obrigados a abastecer-se de água não salubre e em quantidades insuficientes que não chega para a higiene pessoal.

Ainda esta semana Organizações Não Governamentais e governos de todo o mundo reunidos em Bruxelas numa assembleia do Parlamento Europeu sobre a água defenderam a necessidade de se reconhecer a água como um direito humano e que a gestão deste precioso líquido não deve ficar sobre tutela de empresas privadas, mas sim dos Estados.
 
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