As garimpeiras do sexo
16-04-2007 | Fonte: A Capital/Angonotícias
Ruas e prostíbulos de Luanda, são tomadas de assalto por imigrantes congolesas que se prostituem na esperança de um dia reunirem dinheiro suficiente para mudarem-se para o continente Europeu. Paris, em França parece ser a terra prometida.

De acordo com uma reportagem do «Jornal A Capital», no local as coisas parecem não ser fáceis para as raparigas que ali se encontram.

Segundo a reportagem, eram 19 horas, quando jornalistas afectos ao periódico circulavam pela zona. Segundo ainda a mesma (a reportagem) na altura reinava uma certa acalmia no local, o frenesim de taxistas não se fazia sentir, assim como não se notava qualquer agitação no antigo balneário que, agora pintado de verde e branco, faz de restaurante, bastante concorrido por aquelas paragens.

Durante o percurso, conheceram duas raparigas, Lúcia e Nené.

Lúcia recebeu-os com uma toalha a cobrir-lhe a cintura para baixo. Por cima, diz a fonte, envergava uma curta blusa branca que mal escondia os seus fartos seios suportados por um par de sutiãs.

As duas jovens são irmãs e provêm da vizinha Republica Democrática do Congo (RDC). Com 34 anos de idade, Lúcia é a mais velha e também, a que mais tempo está em Angola. Há um ano chegava à Luanda e, a quatro meses, decidiu chamar a sua irmã Nené, dez anos mais nova, com quem partilha a casa, a profissão e os sonhos de uma vida melhor no velho continente.

Tanto Lúcia como Nené (esta última que não fala português), são trabalhadoras do sexo, a expressão que as organizações não-governamentais, que laboram na luta contra o vírus do HIV, utilizam para caracterizar as prostitutas. Têm sido, por outro lado alvo de uma atenção especial destas mesmas agremiações que se mostram preocupadas particularmente com o crescimento de um certo surgimento de trabalhadoras do sexo na província de Luanda.

Jovens mulheres, vindas da RDC, entregam-se à mais velha profissão do Mundo, expandindo-se, com certa velocidade, nos mais distintos bairros da capital angolana. Desde zonas como Palanca, Mabor, Rocha Pinto e Mesmo Viana, a presença dessas trabalhadoras do sexo é uma constante lado a lado como cidadãs angolanas igualmente dedicadas à prostituição.

Ainda sobre estas jovens, a equipa deste site também foi a rua. no local podemos constatar que cresce cada vez mais, o número de meninas nas mais variadas esquinas da capital a vender o seu próprio corpo.

“Vem fofo, é barato, estou a cobrar 1.500 kwanzas”, chamava-nos Ângela, uma jovem de baixa estatura e, com 27 anos de idade que, depois de uma breve conversa e apercebe-se de quem éramos, tentou esquivar-se mas sem sucesso, acabando mesmo por nos abrir uma das páginas do livro da sua vida.

Ângela disse ter 3 filhos e, estar neste momento sem emprego. “Não tenho outra saída se não fazer isso”, frisou a jovem. “Não tenho ninguém que me dá, vim da província de Benguela, não tenho família aqui, os filhos precisam de comer e estudar, como vou fazer”, explicou.

Ao seu lado, estava uma outra jovem, chamava-se Verónica, esta nos parecia ser mais tímida, mas mesmo assim conseguimos tirar dela algumas palavras.

Verónica disse ser da província da Lunda-Norte e que está em Luanda a 2 anos. Com o tom de pel muito clara, Verónica apresentava-se vestida de forma extravagante.

De poucas palavras, Verónica é da opinião da sua colega, a falta de emprego, é a razão que o leva a prostituir-se. “Quando vim para aqui, pensei que iria trabalhar, mas não pareceu”, revelou sem no entanto dar mais explicações.

De facto, cresce o número de meninas da noite em Luanda. É uma das formas que muitas delas arranjaram para sustentar a si e suas famílias.

Entretanto, não são somente jovens que se encontram nas artérias da capital para deste modo venderem os seus corpos. Ali encontra-se até mulheres com idades compreendidas entre 40 a 50 anos de idade.

As barracas,são alguns dos locais onde muitas delas fazem o seu trabalho. Lá, o consumo de álcool é exagerado. Disfarçados, fomos atendidos desta forma:

“Entrem filhos, o que é que vão beber?”, perguntou-nos uma senhora mestiça e corpulenta. “Temos tudo, da bebida a carne boa e fresca”, disse a senhora que nos aparentava ter 48 a 50 anos de idade.

É desta forma que muitas mulheres vivem em Luanda, é desta forma que muitas dessas mulheres dão o sustento até mesmo os seus maridos muitos deles desempregados e sem como dar uma vida digna a suas famílias.
 
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