Lobito há um mês sem água
25-05-2007 | Fonte: VOA
Há sensivelmente um mês e poucos dias que a cidade do Lobito debate-se com a falta de água potável, o que está a preocupar os seus habitantes que já percorrem cerca de 20 quilómetros com recipientes em busca deste precioso líquido.
Como consequência da ausência de água, em algumas residências foram encerradas as casas de banho, obrigando os seus moradores a fazerem necessidades ao ar livre, constituindo assim um risco para a saúde.
Esta situação também é visível em algumas empresas públicas e privadas Nesta altura, a higiene corporal fica fora de hipótese quando se quer economizar a pouca água que se consegue para o consumo, aliás já existem famílias que estão a viver com 15 litros de água por dia. A Voz da América ouviu o jovem Paizinho um dos muitos que vivem este drama. «É preciso irmos lá na Catumbela ir buscar água, quem tem possibilidade de ir buscar água na Catumbela vai com seu transporte. É um caso muito difícil porque a pessoa já não consegue banhar em condições , nem consegue lavar a roupa, enfim estamos mesmo automaticamente mal».
A Voz da América procurou as reacções da Empresa de Águas e Saneamento do Lobito mas não obteve sucesso. Sabe-se, contudo, que a idade avançada do sistema de distribuição tem levado a constantes roturas nas condutas, sendo apontada como a principal causa das sucessivas interrupções no fornecimento de água na região Por outro lado, nos últimos tempos a província de Benguela transformou-se num verdadeiro canteiro de obras inacabadas,como o hospital regional de Benguela e o projecto de apetrechamento do hospital regional do Lobito, o que tem estado a criar sérios transtornos na vida das populações. Actualmente o hospital central de Benguela está destituído de recursos, como medicamentos e outros meios essenciais aos doentes.
O pessoal daquela unidade sanitária limita-se apenas a passar receitas aos pacientes ou aos seus familiares que suportam todas as despesas, incluindo a alimentação e água em caso de internamento. Como consequência da falta de camas que se regista naquela unidade, surgem caso em que três doentes são forçados a partilharem a mesma cama e pagar 400 kwanzas pelo seu uso quando alguém recebe alta, como nos confirma Armindo Sardinha que tem a sua mulher internada.
«Não é normal e nem é tranquilizante irmos para um hospital que depois vamos dar conta que temos que partilhar a cama com mais dois doentes, nós somos o terceiro, é o que acontece neste hospital. Tu tens três doentes com doenças diferentes numa só cama» disse aquele cidadão que rematou «portanto acho que isso é uma grande irregularidade e que toca de facto o doente, também acaba por tocar os parentes do doente».
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