Cabinda: Especialista angolano descarta risco de extinção da floresta do Maiombe
29-08-2007 | Fonte: Angop
O especialista angolano em ciências florestais Simão Nzau refutou ontem a afirmação de um perito checo, segundo a qual a floresta do Maiombe, localizada na província de Cabinda, norte de Angola, poderá desaparecer dentro de cinco ou dez anos.

Em entrevista à Angop, reagindo às declarações do biólogo checo Miloslav Jirku, sobre o risco de extinção da floresta do Maiombe, publicada na edição de 18 de Agosto deste ano do Jornal de Angola (JA), Simão Nzau disse que a tese do especialista da República Checa está desprovida de fundamentos científicos.

Simão Nzau frisou que o Governo está atento a tudo o que se passa na floresta do Maiombe e defende uma exploração racional dos recursos naturais, tendo para isso orientado a criação da Lei das Florestas, Fauna Selvagem e Áreas de Conservação, que se encontra em avançada fase de elaboração, para regular a conservação, preservação, exploração e comercialização dos bens da flora e fauna do país.

Segundo o também director provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) de Cabinda, a afirmação do perito checo está igualmente inconsistente, pelo facto de Miloslav Jirku não ter se informado dos antecedentes do seu objecto de estudo como a taxa de crescimento e de distribuição, as espécies existentes, os níveis de exploração, o poder germinativo natural, bem como a dinâmica evolutiva da floresta.

Para o responsável do IDF, uma floresta como a do Maiombe com 250 mil hectares, equivalentes a dois mil quilómetros quadrados, não correr risco de desaparecer em cinco ou dez anos, porque ela regista um crescimento médio anual de 125 mil metros cúbicos e um nível de exploração de 23 metros cúbicos por ano, correspondente apenas 20 porcento do potencial da floresta do Maiombe.

De acordo com a fonte, outra razão que contraria a posição do especialista checo prende-se com o facto das 11 empresas madeireiras licenciadas nunca atingirem a extracção anual de pelo menos 78 metros cúbicos de madeira, autorizados pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal de Cabinda.

Em declarações ao Jornal de Angola, Miloslav Jirku aventou a possibilidade da floresta do Maiombe poder desaparecer dentro de cinco ou dez anos caso não se crie um plano para a exploração racional dos seus recursos.

Biólogo e professor da Academia de Ciências da República Checa, Miloslav Jirku, esteve na floresta do Maiombe acompanhado por mais dois especialistas, designadamente Jirí Muller e David Modry, da Universidade Veterinária e Farmacêutica desse país da Europa.

De acordo com a edição do JA, os investigadores checos estão à frente de um projecto para a preservação da floresta do Maiombe que visa a inventariação dos animais e plantas existentes na região, sugerir a criação de reservas naturais ligadas entre si para migração dos animais, bem como criar um plano para o uso dos seus recursos em tempo indeterminado.

Miloslav Jirku assegurou que caso não se cumpram com os itens acima expostos, dentro de cinco ou dez anos os recursos existentes na floresta irão se extinguir e já não será possível, por exemplo, explorar a madeira e fazer caça autorizada.

O projecto de preservação da floresta do Maiombe iniciou há dois anos e tem o seu término previsto para 2009 e conta com o apoio do Ministério do Urbanismo e Ambiente, refere o Jornal de Angola na sua edição.
 
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