«Quem não faz sexo?»
25-11-2007 | Fonte: Semanário Angolense (José Kaliengue)
Tatiana Durão admitiu, em conversa com o SA, ter sido autêntica e sem fingimentos no Big Brother África. A verdade é que isso cria um problema na sociedade angolana. Uma sociedade que alguns apelidam de hipócrita, outros não. Mas é uma sociedade que diz, de si própria, cultivar determinados valores relativamente ao sexo, exigindo muito mais discrição das mulheres. Goste-se ou não de sexo, a verdade é que imagens de sexo, ou próximas disso, chocam as pessoas. Por isso confrontamos a nossa interlocutora, Tatiana Durão, com essa questão e a resposta foi curta e grossa: «Quem não faz sexo? Diga-me já!»

Tatiana, as pessoas que estão contra o seu desempenho no BB centram-se muito neste factor. Elas não comentam se dança, se cozinha... focam-se neste ponto: sexo.

Quem não faz sexo? Diga-me já!

A questão não é essa. A questão é fazer-se uma espécie de «sexo não autorizado» porque a Tatiana tem um noivo cá fora...

Namorado…

Ok. A Tatiana tem o namorado cá fora, o Richard tem a mulher cá fora, portanto estavam um bocado atados de algumas «liberdades» devido a estes compromissos. Com o que aconteceu tinha consciência de estar a pôr em risco ou a acabar com o namoro cá fora?

Quando a Tatiana entrou para o BB tinha consciência de tudo. Mas não fui para lá com a certeza de que me iria envolver com alguém.

O que se vê é que noutros concursos do BB que vão acontecendo pelo mundo há sempre um ou dois casais que acabam por ter um envolvimento sexual. Mas, curiosamente, também, em quase todos eles quando saem, se não todos mesmo, dá-se uma ruptura. Daí a ideia de que estão a jogar aquela cartada, conscientes do efémero do caso…

É assim. Foi a minha primeira experiência no BB. Eu não sabia que as coisas iriam acontecer daquela maneira. Sou humana como todos vocês são. Não somos perfeitos. O nosso coração não está fechado a sete chaves. Por mais que tenhamos um parceiro ou não. E devo dizer que a situação no BB é diferente da situação no mundo real cá fora. Não há nada como o BB.

Ou seja, se tivesse encontrado o Richard cá fora provavelmente não se teriam aproximado?

Exactamente. É isso o que eu digo. Estivemos fechados aí noventa e oito dias. Era só ver as mesmas pessoas. Fomo-nos encontrando, aproximando e foram nascendo aqueles sentimentos que, claro, não eram por vontade nossa. As coisas acontecem…

Ocorreu-lhe tomar uma atitude, uma espécie de resistência a esse sentimento? Não vou fazer isso?

Sim. Isso sim. Eu tentei resistir mas foi demais. O Richard é impressionante. Muito encantador. As pessoas que acompanharam desde o início puderam ver isso. Acho que a altura em que decidi que não adiantava resistir, não vai dar, não se vai a lado nenhum, porque eu já estava mesmo muito envolvida por ele, foi na altura em que ele me ofereceu flores na casa. A partir daí as coisas foram acontecendo…

E, já agora, mantém-se a relação com o seu namorado cá fora?

Lógico que não. Mas já nos encontramos, já conversamos. Desde que eu cheguei temos estado sempre juntos. Não lhe vou dizer o que penso, porque nem eu sei o que vai acontecer a partir de agora...

Porque o Richard ocupa os planos?

Não é bem isso. Porque a Tatiana conhece o Richard da casa do BB. Eu não conheço o Richard de fora. É complicado. Tinha de estar com ele fora...

Portanto, não tem consciência se ele estava a representar ou não?

Não. Eu posso garantir que foi paixão. Apaixonamo-nos na casa. Isso é verdade. Acho que as pessoas puderam ver que isso estava aí estampado nos nossos rostos. Em tudo o que nós fazíamos. É verdade que há muito artificialismo dentro da casa do BB. Mas claro que se as coisas tiverem de acontecer cá fora, nós temos de conviver, temos de conhecer-nos um ao outro cá fora...

Ou seja, um recomeço…

Exacto, é um recomeço. É tudo completamente diferente. E o Richard está na Tanzânia neste momento, a tratar da vida dele. Eu não sei se está a tentar voltar para a mulher ou não. Mas eu respeito. Como sempre disse na casa: «Richard, eu desejo-te boa sorte, para que tudo se resolva entre ti e a tua mulher. Se as coisas não se resolverem do teu e do meu lado, e se acharmos que devemos ficar juntos vamos tentar.» Porque não? Em todo o caso, ainda é muito cedo para falar do que vai acontecer comigo. Se vou voltar ou não com o meu namorado. Não sei.

Mas tem essa vontade? Ocorre-lhe?

Vou lhe dizer: eu não sei... Acho que sim, porque sete anos não é brincadeira.

Tatiana, a sua família apoia-a, censura?

Não, nada disso. Cem por cento incondicional. A minha família toda. Eu já não tenho o meu pai em vida, nem a minha avó, que era a minha maior fã. Mas tenho a minha mãe e os meus tios, que também não são muitos. Nós somos uma família pequena. Mas estão todos orgulhosos da Tatiana. Até a minha mãe que é de uma religião muito conservadora. Respeita as minhas decisões na vida.

Independentemente de concordar ou não com o que eu faço. Ainda não nos vimos pessoalmente porque ela mora distante, mas temos falado sempre ao telefone e ela está muito feliz. Sempre que viajo e fico muito tempo fora, há sempre o telefone para falarmos. Mas desta vez não houve nada. E nem ela viu porque não estava com a DSTV ligada. Não acompanhou, mas ouvia algumas coisas.

Como é que as pessoas a olham na rua? Já reparou no interesse, se é com mais admiração ou do jeito «menina malandra»?

A maior parte das pessoas olha-me som admiração. As pessoas que vêm ter comigo respeitam e admiram a força e a coragem que eu tive na casa e por ter chegado até onde cheguei. Quando estou a conduzir, as pessoas que me reconhecem pedem-me para descer o vidro e dizem «parabéns, eu sou tua fã».

Suscita agora o maior interesse da comunicação social. Não receia o esfriamento? Provavelmente, daqui a um mês, não a virei «incomodar». Provavelmente, o BB já estará entretido a preparar a próxima edição. E se as luzes se apagarem? Receia-o?

Não, porque tenho recebido muitos convites para visitar outros países africanos, sobretudo os dos outros concorrentes da casa. Há instituições, empresas que querem fazer alguma coisa com a Tatiana. Isso é bom. Eu acho que para manter as luzes sempre acesas, depende de nós mesmos, do nosso sacrifício, da nossa batalha. E se depender da Tatiana, as luzes não se vão apagar.

A Tatiana é uma jovem gira e simpática. Mas daqui a alguns anos estará um bocadinho mais velha e provavelmente já não será muito solicitada para as passerelles. Essa projecção dada pelo BB, a estratégia que seguiu, tudo isso pode-lhe render dinheiro para o futuro?

Claro que tenho planos. Nessa fase a Tatiana tem de arrecadar tudo o que venha disso. Pretende ter investimentos seus. Eu comentei na casa sobre isso. Gostaria de ter um sítio meu, para fazer o que gosto. Eu gosto de trabalhar com espectáculos, com show, com eventos, principalmente eventos. É o que gosto e é o que hei-de fazer no futuro. Claro que vou estar ligada à moda, como é óbvio. Por enquanto ainda quero viajar, trabalhar fora, divertir-me, fazer tudo aquilo que eu gosto que é televisão, moda, enfim. Quando me der por satisfeita e vir que a idade está avançar, aí vamos avançar com outros projectos.

Na sua carreira futura não receia ter de estar, permanentemente, a confrontar-se com o facto de ser apontada como um mau exemplo da mulher angolana?

Não. A Tatiana não foi representar nenhuma mulher. Representou-se a si mesma. Nem eu acredito que alguma mulher está capacitada para ir a um concurso representar a mulher angolana. Digo-lhe mesmo de boca cheia: é impossível alguém ser tão perfeito a ponto de dizer que vai representar a mulher angolana. É impossível. Eu sou angolana sim senhor, mas eu não pretendo representar mulher angolana nenhuma, represento a Tatiana Durão e ponto final.

Filhos, Tatiana, já pensou?

Já. Dois. Talvez daqui a dois ou três anos comece a trabalhar nisso.

Então, estamos perto de ter uns richardizinhos em Angola?

Não sei (risos). Ele agora tem de lutar pela sua vida. Vem de uma família pobre, quer formar-se na área do cinema.

Pobre em Angola é complicado. Em Luanda não se gasta menos de cem dólares num jantar, em qualquer restaurante médio.

Este é um dos problemas. Não sei se daria…

Mas estaria disposta a ficar com ele?

Claro, se as coisas se proporcionassem. Mas iria ser complicado. Aí teria de abdicar de muita coisa. Mas os sonhos poderiam concretizar-se noutros sítios, num país onde pudéssemos trabalhar e realizar os nossos sonhos, como a África do Sul. Se as coisas acontecessem, seriam nesse caminho…

Última pergunta: vocês usaram preservativo?

Usamos.
 
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