Governo assume a Educação como prioridade para o desenvolvimento do país
02-12-2007 | Fonte: Angop
O ministro da Educação, António Burity da Silva (na foto), disse domingo último em Luanda, que o Governo de Angola tem, desde a proclamação da independência, em Novembro de 1975, assumido o sector da Educação como uma questão central, transversal, prioritária e estratégica para o desenvolvimento político, económico e social do país.

Em entrevista exclusiva à Angop, em Luanda, o governante afirmou que essa assumpção do Governo, que decorre da execução da linha programática do MPLA, traduz-se nas dotações orçamentais atribuídas ao sector, que mesmo nas condições de instabilidade político-militar situaram-se sempre a níveis aceitáveis.

“O nosso maior orgulho, enquanto angolanos livres, independentes e soberanos, se exprime exactamente na pertinência e no impacto da Educação na nossa vida, porque depois de 32 anos de independência, o esforço do Governo é comparativamente quase 20 vezes superior ao que herdamos do colonialismo português, quer em termos de efectivos escolares, em infra-estruturas e de investimentos, o que nos honra”, realçou o governante.

Exemplificou que em termos de perfil académico regular, um cidadão que nasceu há 32 anos e ingressou no sistema de Educação com seis anos de idade, sem ter reprovado, aos 23 e 24 anos terá concluído uma licenciatura e aqueles que puderam progredir mais, até aos 30 anos, terão feito um doutoramento ou pós-graduação.

A julgar por isso, Burity da Silva faz uma avaliação positiva do sector que dirige, acrescentando que os actuais quadros de gestão da vida política, económica, técnica, social e cultural do país "são uma consequência directa ou indirecta da política educativa traçada pelo Governo".

Observou que os principais constrangimentos registados no sector da Educação ao longo dos 32 anos foram de ordem conjuntural, com realce às consequências da guerra, que ceifaram milhares de vidas humanas, destruíram centenas de espaços educativos e equipamento didáctico "e que terão condicionado com alguma relevância o pleno e harmonioso desenvolvimento do sistema educativo".

“Em qualquer parte do mundo e em qualquer sistema político, os sistemas educativos não são concebidos para serem implementados em ambientes de profunda instabilidade, como foi o nosso caso nos últimos 23 anos”, sublinhou.

Na entrevista, o governante referiu que em cinco anos de paz, o sistema educativo angolano conheceu performances que contabilizados dão indicadores qualitativos e quantitativos do potencial de mudança que está ao alcance do país, lembrando que nos últimos tempos o país tem sido referenciado por várias agências especializadas internacionais como um dos grandes sucesso e progresso educativo na África subshaariana, assim como no conjunto dos Estados em situação de pós-conflito.

Quanto aos planos a serem implementados nos próximos anos para o crescimento sustentável do sector da Educação, Burity da Silva destacou os projectos gizados pelo Governo nos domínios da alfabetização e recuperação do atraso escolar, com vista a aumentar e melhorar as taxas líquidas e brutas dos níveis educativos da população adulta.

A par disso, disse que Angola deve situar-se entre os países africanos com índices irrelevantes de analfabetismo e prosseguir com a reforma educativa dos subsistemas do ensino geral e da formação de professores, tendo em conta a elevação dos níveis dos conteúdos educativos para as exigências da vida.

Consta ainda do plano a reestruturação do ensino técnico-profissional, por forma a combinar os perfis profissionais às exigências do mercado e do emprego, o aumento e a melhoria da rede escolar a todos os níveis e subsistemas de ensino, numa perspectiva de proporcionar melhores condições de estudo e de aprendizagem para docentes e discentes, entre outras acções.

Assinalou que, nos últimos cinco anos, o Governo vem realizando uma profunda revolução no sistema de Educação com forte impacto na expansão e desenvolvimento do ensino primário por todo o país.

“Isso estende-se às áreas então inacessíveis, devido a guerra, a formação e a capacitação de professores, estabelecendo-se de modo gradual uma relação proporcionalmente directa com as exigências decorrentes de melhor qualidade de ensino”, declarou.

Neste contexto, precisou, nos últimos cinco anos o sector da Educação registou um crescimento superior a 300 porcento. “Em termos de efectivos escolares, o crescimento foi de um milhão 500 mil para cerca de sete milhões, e foram admitidos cerca de 200 mil novos agentes de ensino”, afirmou.

Esta cifra reduziu de 58 porcento a 33 a taxa de analfabetismo, tendo sido construídos e equipados com tecnologias de ponta mais de 30 escolas secundárias e técnicas.

Os esforços do sector da Educação estão igualmente dirigidos na implementação de projectos sobre a equidade de género e a prevenção do VIH/SIDA no seio de docentes e discentes.

Na mesma senda, o governante informou que o Ministério da Educação continua a corrigir com persistência os erros para a melhoria da gestão administrativa e pedagógica das instituições de ensino.

Quanto ao papel dos professores, o ministro reconheceu que estes constituem a garantia para a sustentabilidade do processo ensino/aprendizagem, daí a razão de serem meritórios de uma atenção particular.

Observou que na última sessão do Conselho de Ministros, realizada em Novembro de 2007, sob proposta do sector de Educação e fruto da concertação multisectorial, foi aprovado um novo estatuto da carreira docente que tornará a actividade mais atractiva e estável.

Esse novo estatuto é, por si só, uma conquista da classe de docentes e uma demonstração clara da vontade política do Governo em promover e dignificar os professores. “Trata-se de um instrumento inovador, moderno, diversificado, mais abrangente e estimulante para as carreiras estabelecidas”, disse.
 
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