«Letreiro de táxi», por Adalberto Luacuti
05-08-2004 | Fonte:
A frequência com que nos deparamos nas estradas é sinal evidente que o letreiro móvel está mesmo na moda. Em primeira instância, o letreiro pode e deve ser enquadrado naquele tipo de regulamento que estabelece as regras para a publicidade de bens, serviços e patentes. É, portanto, matéria de foro legal.

Intriga-me ver o letreiro estrangeiro que impera em muitos carros na cidade de Luanda. Não consigo conceber que muitos automobilistas não se dignem em apagar, mediante pintura, o letreiro alemão dos seus carros. Não estou em condições de citar, pelo menos um, dos letreiros que vejo dos carros vindos da Alemanha, Bélgica ou Holanda.

Acho digno que se tome alguma medida para se regular esta matéria. Outra moda a volta do letreiro móvel é aquela que os taxistas, sobretudo, têm nos seus automóveis. Estes letreiros primeiro surgiram como senha para os taxistas ludibriarem a polícia. Depois passou a ser o «cartão de identidade» dos taxistas nas praças já que é aí onde os miúdos lavam os carros a hora do almoço. Então o letreiro tem esta missão.

Normalmente o letreiro ou tem o nome do motorista ou é uma máxima popular ou pessoal que se professa. “Xó xolteiro”, “Orlando na maior”, “Bunda dela”, “20 buscar”, “20 despedir”, “20 te subir”, “Família pong”, “Sempre a subir”, “Deus é amor”, “Se o meu suor falasse saberiam a dimensão do meu sacrifício”, “conduzido por mim, guiado por Deus”, “Vosso mal é esse”, etc. e tal.

Nalguns casos, e não são poucos, o letreiro traz-nos uma mensagem subliminal, ou seja, mensagens cuja leitura nos leva a várias interpretações, uma das quais com forte incitação sexual.

No domingo aconteceu uma coisa e pêras! Em estado de necessidade na paragem de táxi, eu e a minha dama, aflitos que estávamos por falta de transporte dado o adiantado da hora a noite e ao frio que fazia naquele momento, surgiu um táxi com um letreiro fora de série: “20 te amar!”. Olhei para os lados e vi que éramos apenas os dois que estávamos na paragem, ainda mais abraçados!

E perguntei-me a mim mesmo, o que é que esse tipo quer com esse letreiro “20 te amar”? Gerou um mal estar silencioso, mas o assunto estava apenas a nível da leitura. Decidi mesmo não subir no táxi porque ele dizia 20 te amar. A mim não seria com certeza e à minha dama, aposto, que também não.

Depois fiquei a saber que tal motorista é um homem muito querido pelas senhoras que vendem almoço nas barracas por causa da sua mão solta, já que não se faz rogado quando o assunto é pagar e, por isso, cria ciúmes aos demais homens por causa da fama que o letreiro do seu táxi lhe dá: “20 te amar”. Chegado a casa fiquei a pensar na verdadeira intenção do homem e vi que se trata apenas de mais um letreiro com mensagem para ser lida visando identificar o dito “20 te amar”. É o letreiro de um táxi que identifica o respectivo motorista, sua rota e paragens.

Mas o letreiro de táxi também tem lá as suas vantagens: personaliza o táxi sendo que os traços mais gerais são a higiene do carro, a qualidade da música, a rota e o tratamento que se dispensa ao viajante. Outrossim, em caso de acontecer qualquer eventualidade, como deixar, por engano ou distracção objectos pessoais no táxi, torna mais fácil a sua localização. Neste caso, ao dirigir-se ao motorista a sugestão subliminar estará aí bem patente: - “Sr. 20 te amar (...)”, ao que ele responderá bem disposto: “eu também”.

É muita ousadia. Mas o que fazer se ele se chama mesmo 20 te amar?

Assinou, Adalberto Luacuti
 
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