Escassez de gasolina provoca longas filas
20-05-2008 | Fonte: Jornal de Angola
Mário Jorge, automobilista, estava numa enorme fila na bomba Nacional, rua dos Congressos há 3 horas. Já tinha passado pelas bombas do Golfe e da Avenida Brasil com este propósito, mas não conseguiu, pois, aquelas bombas nem sequer tinham sido abastecidas.

“Creio que vou ter que suportar mais algum tempo. E, além disso, não creio que o combustível que tenho no depósito do meu carro seja suficiente para chegar a casa. Vou ter que suportar mesmo”, disse conformado.

No vigésimo segundo carro, a contar do posto de abastecimento até à cauda da fila, Maria Fernanda cabeceava. A razão era o cansaço, stress e a paciência que no passar de cada minuto se esgotava. Era uma segunda tentativa, pois no dia anterior (sábado), já havia tentado encher o seu depósito. Não conseguiu, a enorme fila mesmo com o passar das horas parecia imóvel. “Ontem, permaneci quase três horas na fila para ver se abastecesse o meu carro na bomba da Rádio, mas a paciência se esgotara. Hoje, tenho que conseguir. Aliás, já estou sem alternativa”, disse.

Nas bombas do CodeNm e da Maianga, o cenário é o mesmo. Não há combustível. Zé Martins, 26 anos, não tem alternativa à semelhança dos primeiros, senão a de ficar na cauda da fila do posto de venda da Rádio, que quase chegava à Igreja Sagrada Família.

“Já não posso ficar sem combustível. E se não conseguir aqui, parece que terei de empurrar o meu carro até a casa”, assevera.

Os compradores de combustíveis aos bidões viram-se envolvidos em dificuldades para a aquisição do produto, havendo mesmo quem desistisse após largas horas de espera. Algumas bombas estavam tão apinhadas de gente, que era até impossível ver o bombeiro. Na bomba do Largo dos Ministérios e na Sonangalp, rua dos Congressos, o cenário era esse. Por exemplo, o jovem Manuel Fonseca esperou por aproximadamente três horas para ver os seus dois bidões cheios.

“Estão a atender somente aos automóveis e aos que querem comprar combustíveis nos bidões vão atendendo um ou outro”, desabafa.

Parte considerável das bombas de combustíveis da cidade de Luanda ficou desde o último fim-de-semana sem abastecimento, como é o caso dos postos do Golfe, Benfica, Funtungo e da bomba da Avenida Brasil defronte ao colégio Alpega, Codem, campo do Petro, entre outras. As poucas bombas que tinham combustíveis nos seus reservatórios registaram filas longas, que iam dos 300 aos 400 metros, por causa da procura pelos automobilistas que vinham de outros pontos da cidade capital.

“Estamos a proceder a um atendimento normal como nos outros dias, mas não conseguimos evitar o problema da enorme fila e o tempo de espera, na medida em que atendemos uns e automaticamente chegam outros automobilistas, por falta de combustível noutras bombas”, explica um agente de venda da bomba da Nacional.

O cenário foi desolador. Algumas bombas totalmente às moscas por não terem combustíveis, noutras, como é o caso da do 1º de Maio, podia-se contar o número de carros com os dedos de uma só mão. Pois, neste lugar, só havia gasóleo, enquanto na da Rádio e na do Largo dos Ministérios, as filas chegavam a atingir 400 metros.

Entretanto, uma fonte da Sonangol assegurou que a situação foi já ultrapassada neste momento estão a ser repostos os níveis em todos os postos da cidade.

A mesma fonte apelou aos automobilistas a manterem a calma e serenidade.
 
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