Escassez de gasolina dá azo a negociatas e especulação na cidade de Luanda
21-05-2008 | Fonte: Jornal de Angola
A escassez de gasolina que se regista em Luanda desde o último fim de semana está a dar azo a uma onda de especulação e negociatas do produto em diversas artérias da cidade de Luanda.

Por exemplo, ao longo da Avenida 21 de Janeiro (da Fapa até ao Rocha Pinto) é possível divisar, na berma da estrada, as diversas amostras que sinalizam a existência do produto pronto para venda.

Um garrafão e nele uma mangueira, é a sinalização usual e a mais frequente.

Garcia Filipe, 28 anos, comercializa a gasolina e outros derivados, bem à porta da sua residência. Filipe conta que, desde que começou a vender a gasolina em garrafões, nunca tinha vendido como vendeu nos últimos cinco dias. “Tinha seis bidões amarelos de 20 litros cada. Vendi-os sábado ao entardecer”, confidencia, ao mesmo tempo que adianta ter de guardar o dinheiro resultante da venda dos 120 litros de gasolina, para quando a Sonangol reabastecer as suas posições.

Quanto ao modo de aquisição do combustível, Garcia Filipe diz que o faz de forma normal. “Há vezes que fazemos recurso à ajuda de um amigo que tem uma viatura. Vamos às bombas e enchemos o seu depósito. Postos em casa, usamos uma mangueira e tiramos a gasolina do depósito para os nossos recipientes. Já não levamos bidões às bombas, é muito trabalhoso”, explica.

Nesta altura, cinco litros de gasolina estão a ser comercializados a 500 Kwanzas, na razão de 100 kwanzas por litro contra os 40 kwanzas, o preço oficial do produto.

Não obstante à situação, Dom Mário, como é chamado, não se inquieta em nenhum momento com o facto de estar a encher o depósito da sua viatura de marca “Jeep Cherock”, por sinal ainda recente, com o combustível vendido em plena Avenida 21 de Janeiro. Pelos 20 litros, desembolsa nada mais que dois mil e 200 Kwanzas. “Até tenho consciência de que não é aconselhável proceder assim, mas estou sem saída. Não há combustível nas bombas e não posso parar a minha vida por conta disso, há que buscar alternativas”, assevera.

Como Dom Mário, uma dezena de automobilistas, incluindo taxistas, chega ao local e pergunta pelo produto. Imediatamente, o vendedor entra e tira do seu reservatório a quantidade solicitada. Manuel Pacavira, taxista há quatro anos, segue a pequena procissão na compra da gasolina. “Os preços aqui são exagerados. Se nas bombas, com 500 Kwanzas temos 12 litros, aqui são apenas cinco litros. Não podemos parar de trabalhar, temos mesmo que comprar”, realça.
 
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