Custo de transportação no exterior eleva preço de viaturas de ocasião no país
30-05-2008 | Fonte: Jornal de Angola
A compra de viaturas de ocasião nos principais recintos de vendas em Luanda (Estrada de Catete e Feirão) passou a ser mais cara nos últimos dias, devido ao aumento das taxas aduaneiras na Europa e nos Emirados Árabes Unidos.

Segundo alguns comerciantes, o encarecimento das viaturas deve-se também ao aumento dos custos de transportação nos locais de importação até ao país.

Para se ter uma ideia, uma viatura RAV4 de cinco portas, que era vendida a 16 mil e 500 dólares, custa agora 18 mil dólares.

Numa ronda efectuada aos tradicionais mercados de venda de viaturas usadas, nomeadamente, Estrada de Catete, Feirão e Golf II, o “Economia & Finanças” apurou que os preços das viaturas provenientes da Europa registaram um incremento de mil dólares, dependendo da marca do automóvel e também da procura. Já as viaturas provenientes do Dubai aumentaram em cerca de 500 dólares, comparativamente à tabela anterior.

Por exemplo, uma viatura RAV4 de três portas compra--se actualmente a 16 mil dólares na Estrada de Catete, contra os 13 mil vendidos anteriormente naquele recinto.

Já um Toyota Corolla “Olho de Gato”, que no passado valia 11 mil e 500 dólares, hoje é negociado a 12 mil e 500 dólares. O Toyota “Rabo de Pato” com AC passou a custar nove mil dólares. Antes o mesmo veículo saía a sete mil.

Uma viatura da mesma marca sem AC é comercializada a sete mil dólares. Por sua vez, o Toyota Hyace H20 “Comuter” é adquirida agora a 16 mil dólares, contra os 12 mil dólares anteriores. Caso o cliente mostre interesse em comprar viaturas da marca Toyota Starlet “Bolinha” e o vulgo “Gira Bairro”, deverá desembolsar qualquer coisa como 5 mil e 500 dólares.

Se a preferência recair para a Toyota Avensis, o necessitado terá de pagar 12 mil dólares. Antes o mesmo estava no valor de 10 mil.

Para um jeep Toyota Land Cruiser, o preço é muito mais alto e chega a ficar em 35 mil, contra os 17 mil do passado.

Tito Francisco, 32 anos, 13 dos quais como comerciante no parque da Estrada de Catete, revela que desde há muito que o negócio deixou de ser rentável.

“O que ganhamos permite somente para remediar já que os prejuízos são enormes ”, sustenta.

Para ele, a subida dos preços das viaturas em nada beneficia os vendedores na medida em que os custos de transportação e do aluguer do espaço para venda de viaturas são muito altos.

A situação é agravada ainda pelo facto de a maior parte das viaturas que importa ser quase sempre saqueada após a sua saída do Porto de Luanda. Alberto Armando, também vendedor de carros, há 13 anos, na Avenida Deolinda Rodrigues, conhecida por Estrada de Catete, frisou que o elevado número de viaturas que dão entrada no país torna pouco rentável o negócio.O valor é agravado pelo pagamento do arrendamento do espaço. O comerciante adiantou que o volume de vendas efectuado varia de acordo com a procura. Mas por cada viatura retira em média um lucro de 300 dólares.

No recinto de vendas do Morro Bento (Feirão), situado próximo à Rotunda do Gamek, os preços não diferem muito dos demais apesar de haver ligeiras diferenças.

O Toyota “Rabo de Pato” com ar condicionado custa naquele espaço 10 mil dólares. Com os descontos, o cliente pode pagar até nove mil. Antes da subida dos preços, o mesmo veículo custava oito mil.

Tal como na Estrada de Catete, o preço do Toyota Corolla “Olho-de-Gato” subiu também para 12 mil e 500 dólares, contra os 11 mil vendidos anteriormente.

No Feirão, os preços dos jeeps variam de 20 a 35 mil dólares. Caso o cliente deseja uma viatura de marca Toyota Land Cruiser terá de desembolsar 35 mil dólares.

Neste recinto vende-se quase todas as marcas de carros e para todos os gostos. A tabela de preços é fixada de acordo com o estado e conforto da viatura, origem, estilo e o ano de fabrico. Dentre as marcas mais visíveis, podemos encontrar o Nissan Murano, Toyota Runner, Jeep Mercedes, entre outras. O mesmo cenário, ou seja, a alta de preços também se regista nos parques do Golf II e junto ao Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro”, onde os preços das viaturas não diferem dos demais apesar de ligeiras alterações.

Subida de preços não retrai a procura

A despeito de se registar uma subida nos preços da venda de viaturas de ocasião, nos últimos tempos, a procura pela compra de automóveis tem sido grande.

Segundo Simão Silva, negociante de viaturas na Estrada de Catete, em média são compradas naquele recinto cerca de 10 viaturas. As marcas Toyota Corolla “Rabo de Pato” e Starlet “Bolinha” são as viaturas ligeiras mais procuradas.

A razão desta grande procura tem a ver com a carência de transporte que vários cidadãos enfrentam no seu dia-a-dia.

“As pessoas saem da cidade para a periferia ou vice-versa e percorrem longas distâncias, daí que muitos preferem ter um transporte próprio”, desabafa.

Na sua óptica, um dos factores que justifica tal procura, deve-se à concessão de créditos disponibilizados pela banca nacional, facto que atribui grande poder de compra aos clientes. Não obstante, Simão Silva acredita que a procura é também um indicador do poder real que o salário nacional começa a ganhar na medida em que várias pessoas conseguem adquirir estes bens através de poupanças.

Entretanto, em função de alguns problemas que as viaturas de ocasião vão apresentando face à sua utilização nos países de proveniência, alguns consumidores preferem gastar um pouco mais na compra de uma viatura nova.

Mário Rafael, 28 anos, diz que é mais viável comprar um carro “novinho em folha” com garantias de dois anos e assistência técnica grátis do que um RAV4 de ocasião.

“Um carro novo começa apresentar problemas depois de quatro a cinco anos, desde que seja bem cuidado”, afirmou o entrevistado.

Augusto Bleze é de opinião que quando se investe 12 mil dólares num carro de ocasião, com um pouco mais de esforço, o interessado pode gastar 15 mil na compra de um carro novo. Augusto Bleze acredita que dentro de cinco anos, o negócio de carro usado poderá acabar em virtude da implantação no país de fábricas de montagens de viaturas.
 
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