Campanha eleitoral morna
09-08-2008 | Fonte: VOA
Quatro dias após o início oficial da campanha eleitoral, não se vê actividades de vulto por parte dos partidos. O ambiente político é morno depois do “sprint” do primeiro dia. As forças políticas têm demonstrado uma grande apatia.

Quem desembarca em Luanda, a maior praça do eleitorado, quase que não se apercebe que o país está em campanha. Nas ruas não se vê a afixação de cartazes e panfletos, com a excepção de um ou de outro partido. Apenas o MPLA e a UNITA, com predominância para o primeiro, têm realizado acções políticas visíveis. Os demais, limitam-se em actividades muito restritas.

Quem acompanhou as eleições de 1992, pode notar que não há comparação possível entre o ambiente vivido naquela altura e o que se vive agora.

A actual secretária geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Luísa Rogério, uma das integrantes da equipa do Jornal de Angola, que em 1992 cobriu as eleições, estabelece as diferenças.

«Não se pode comparar com o ambiente vivido em 1992. A campanha para as eleições de 5 de Setembro começou há quatro dias e há a impressão que não está a acontecer nada no país, exceptuando uma ou outra bandeira, um ou outro slogan e os espaços que os partidos políticos ocupam na rádio e na televisão.

Em 1992 sentia-se a campanha política, não só em Luanda como no país inteiro. Ficava-se com a impressão que o país vivia em função da campanha, a campanha eleitoral marcava profundamente a vida do cidadão ao contrário do que acontece agora. A actividade dos partidos é quase inexistente, não se vê grandes manifestações, não se sente o clima de campanha.»

Luísa Rogério receia que esta situação pode provocar uma certa retracção por parte dos eleitores no dia da votação.

«Apesar de todo o trabalho de sensibilização feita no sentido de as pessoas votarem em massa, e por incrível que pareça, há cidadãos que não sabem o que está a acontecer e eu tenho muitas dúvidas se todos os angolanos estão preparados para votar no dia das eleições. Como dizia, não se sente o clima de campanha, as pessoas estão indiferentes como se não estivesse a acontecer nada que poderá marcar substancialmente a vida do país nos próximos anos.»

Nestas eleições vão concorrer dez partidos políticos e quatro coligações, estando registados mais de oito milhões de eleitores. Para o efeito, serão preparadas mais de 12 mil assembleias de voto.
 
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