Mercado Roque Santeiro, em Luanda, deve ser fechado
31-10-2008 | Fonte: Lusa
O mercado Roque Santeiro tem fama de ser o maior espaço comercial a céu aberto da África, também um antro de criminalidade de Luanda, mas actualmente é apenas um shopping center dos pobres com os dias contados.

O velho Roque Santeiro nasceu no meio da década de 1980, quando o país vivia uma das mais violentas guerras da África e a capital de Angola era a "fortaleza" onde o povo procurava refúgio e segurança.

Foi inaugurado oficialmente em 1991, era então o Mercado Popular da Boavista. Mas, porque todos lhe chamavam Roque, por causa da telenovela brasileira "Roque Santeiro", esse foi o nome que permaneceu.

O local se impôs em tamanho e em utilidade. Quando tudo faltava na cidade, ali conseguia-se sempre uma porção de farinha de mandioca para o funge, que afastava a fome. São mais de 50 hectares cobertos por chapas de zinco onde se vende de tudo, da maçaroca de milho assado ao mais moderno computador.

Da colina do Sambizanga, onde este fervilhante espaço está localizado, tem-se uma magnífica vista sobre a paradisíaca (à distância) baía de Luanda, mas todos os acessos rodoviários do Roque são ruins.

A confusão é total devido aos milhares de candongueiros (veículos de 18 lugares que são ainda o único transporte público de Luanda), muita poeira e fumaça saindo das lixeiras, a forma que a população e os comerciantes do Roque encontraram para se livrarem do lixo.

Mercado

O administrador do mercado, Vitorino Kitokolo, afirma que "hoje o Roque está pacificado, a criminalidade foi expulsa". O seu escritório fica no centro do mercado.

Uma das razões que divulgaram o Roque internacionalmente foi a ideia de que este era também um importante entreposto de armamento ilegal, incluindo de guerra. O administrador admite essa fama, mas diz que não pode confirmar aquilo que nunca viu.

Ainda no centro do Roque fica a secção de informática. Não se vendem apenas computadores e todo o tipo de acessórios, instalam-se programas, vende-se software e dezenas de jovens revelam a sua destreza no teclado pirateando tudo.

Sob as chapas de zinco, o calor é imenso; sobre o chão, em terra batida por muitos anos de serviço, quando chove, a lama impõe-se. Mas a tudo isso o Roque Santeiro sobreviveu. Até agora.

O mercado não vai sobreviver à onda transformadora que, desde 2002, com o fim da guerra em Angola, está fazendo de Luanda uma cidade nova. E o Roque é o passado.

Panguila, a 30 quilómetros a norte de Luanda, é a nova casa para os comerciantes do Roque Santeiro. As instalações estão prontas, é um espaço moderno e limpo.

É o futuro, mas "distante demais" apontam os vendedores. A recusa em mudar para este novo local é generalizada. Os comerciantes prevêem tempos difíceis quando a administração municipal der a esperada ordem para o fim do Roque Santeiro.

São mil metros de comprimento por 500 de largura, com 5.000 vendedores. Por lá, passam 20 mil clientes por dia.

Apesar disso, o administrador está confiante de que a mudança, ainda sem data marcada, vai ser pacífica, afirmando que o Panguila, um espaço moderno, "é que é bom".
 
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