Filho de Mabi não vai à escola há 15 dias
13-04-2009 | Fonte: O País
Por culpa da crise de resultados dos Palancas Negras, o filho de Mabi de Almeida, seleccionador nacional, não tem ido à escola há 15 dias, segundo uma fonte próxima da família. Diz a mesma fonte a O PAÍS que a mãe da criança, de oito anos de idade, estudante da quarta classe num dos colégios na Gamek, descobriu há dias que o seu filho não tem ido à escola há muito tempo, apesar de sair de casa para esse fim.

A criança queixou-se de que tem sido alvo de insultos por parte de colegas, pelo que optou por não mais entrar na escola. Outra fonte por nós contactada admite, inclusive, que a criança esteja a ser ameaçada de uma eventual agressão física.

Miller Gomes, ex-treinador do Benfica de Luanda e do Petro do Huambo, manifestou-se preocupado com a situação, porque considera que “transcende o bom senso, pois a criança não tem nada a ver com o problema que o pai atravessa na sua profissão. “A responsabilidade não pode ser transferida para a criança. Faço um apelo à sociedade para que respeitem a criança e não coloquem o seu futuro em causa”, sublinha, o também ex-treinador adjunto do Petro de Luanda e do 1º de Agosto. Miller Gomes conta que sua a família já viveu problemas de tristeza por causa de alguma coisa que não estava a correr bem, mas nunca chegou à dimensão de ver o seu filho recusar-se a ir à escola com medo de ser insultada.

Alfredo Sango, psicólogo e docente do Instituto Superior de Educação (ISCED), qualifica esta atitude como sendo uma agressão psicológica que a criança está ser vítima e prevê dificuldades na socialização caso a direcção da escola não resolva a partir da raiz do problema.

“Para a socialização da criança, ela tem de ser aceite no seu ambiente. E se estiver a viver este problema, é evidente que vai enfrentar dificuldades na sua integração não apenas na sua escola como em outros meios”, alerta o psicólogo. Sango sugere que a direcção da escola converse antes com a criança para diagnosticar o problema e depois fale com a turma onde está inserida, de modo a salvaguardar o ano lectivo e os seus resultados académicos, sob pena de fracassar. Mabi de Almeida assumiu o comando dos Palancas Negras em Janeiro, substituindo Oliveira Gonçalves no cargo.

Em três meses, o seleccionador nacional consentiu cinco derrotas em sete jogos. Dentre as derrotas sublinha-se a goleada com o Mali, no dia 11 de Fevereiro.

Comissão de Apoio à Selecção discute futuro do treinador

A situação de Mabi de Almeida vai ser discutida esta terça-feira entre a Federação Angolana de Futebol (FAF) e a Comissão de Apoio à Selecção Nacional.

Na mesa há duas propostas: uma defende a contratação de novo treinador, como caminho para saída da crise de resultados que a Selecção Nacional vive. E, a Federação Angolana de Futebol que pensa no reforço da equipa técnica.

A última palavra, tal como disse Justino Fernandes na conferência de imprensa, caberá aos membros da Comissão de Apoio à Selecção Nacional, da qual fazem parte o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, o general França Ndalu, Ndunguid Daniel entre outros incluindo ex-jogadores e jornalistas.

O pomo da discórdia são as derrotas que os Palancas Negras consentiram nos amistosos de preparação para o Campeonato Africano das Nações, CAN-2010, que o país acolhe a partir de Janeiro.

Em quatro amistosos, a equipa nacional consentiu três derrotas, incluindo uma goleada frente ao Mali, por 4-0, no dia 11 de Fevereiro em França. Os Palancas Negras voltaram a perder com Cabo Verde, por 1-0, e depois com Marrocos por 2-0. Escolhido para continuar o trabalho de Oliveira Gonçalves, que foi demitido por maus resultados, Mabi de Almeida pode ver o seu percurso nos Palancas Negras encurtado.
 
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