Novelas brasileiras ditam moda em lojas angolanas
12-07-2009 | Fonte: Lusa
As roupas baratas da China e da Nigéria não assustam os comerciantes do “Pequeno Brasil” em Luanda, porque não há peça usada pelas estrelas das novelas brasileiras que passam nas televisões angolanas que não tenha grande procura.

Na famosa zona do “Arreou" são numerosas as lojas decoradas no exterior e no interior com as cores da bandeira brasileira: “Parangolê”, “Brazuca”, “Planeta Brasil” e “Brasil Magazine” são das maiores e todas pertencem a comerciantes brasileiros que há cerca de dez anos descobriram o mercado angolano.

Centenas de pessoas entram e saem desses estabelecimentos das 8h00 às 17h30, todas à procura de “roupas que se estão a usar nas telenovelas” e com “bom preços”, que variam entre 600 e os 5 mil Kwanzas.

Mauro Hamid, em Angola desde 2003, é proprietário da primeira loja de venda de roupa brasileira no bairro de S. Paulo, na capital angolana, e em duas palavras resume o negócio: “Muito bom.”

“Tirando a despesa, é rentável, não tem muita dificuldade - agora um pouquinho por causa do congestionamento do Porto (de Luanda), mas antigamente nenhum problema. Os impostos estão com uma condição boa. É um negócio bem lucrativo”, resumiu através de frases curtas e incisivas o comerciante.

Moambeiras

Hamid explicou ainda à Agência Lusa que o que lhe despertou a atenção para o negócio foi o facto de muitos angolanos, as “moambeiras”, irem ao Brasil comprar roupa em grandes quantidades.

Desde o início do ano já importou quatro contêineres de roupa, que, antes da grande concorrência dos seus compatriotas, conseguia vender em 20 dias. Hoje precisa esperar entre dois a três meses.

“Antigamente era sozinho e agora já tem muita gente aqui. São mais de dez brasileiros que têm lojas só nessa rua”, disse, havendo ainda vários angolanos e mesmo libaneses que tiram proveito das cores brasileiras para vender.

Novelas

Vanda Silva e Hélder Fuad, dois comerciantes brasileiros com lojas na mesma rua, também atribuem a rentabilidade do negócio às novelas brasileiras.

A rentabilidade do negócio é tanta que Vanda Silva, gerente da cadeia de lojas “Parangolê”, disse que, desde 2003 até hoje, abriu quatro espaços comerciais em S. Paulo, porque os angolanos “compram muito e gostam de seguir a moda das novelas”.

“Trazemos 12 contentores por ano, entre calçados e roupas. Os produtos vêm do nordeste do Brasil, Pernanbuco”, explicou, acrescentando que o negócio já se expandiu para algumas províncias de Angola.

Vanda Silva, há três anos em Angola, gosta de estar no país e só acha o trabalho “bastante cansativo” porque tem de acordar todos os dias às 4h30 para às 8h00 abrir a loja.

Hélder Fuad também acha “lucrativo” o negócio, senão não investiria cerca de US$ 200 mil em roupas do Brasil e também da China. “Já trabalhava no mesmo ramo no Brasil e, por intermédio de um amigo, vim para Angola vender roupa brasileira", contou. "Ganho uma média de US$ 40 mil dólares mês com a venda.”
 
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