Maná «ressuscita» como Igreja Josafat
07-08-2009 | Fonte: O país
Os cultos na extinta Igreja Maná, particularmente no principal templo que esta formação religiosa possuía no bairro Golfe 2, no município do Kilamba Kiaxi, poderão ser retomados este fim-de-semana, segundo informações apuradas por O PAÍS. A igreja fundada por Jorge Tadeu reaparece com uma nova denominação, “Igreja Josafat”, como se pode ler nas inscrições feitas em painéis que foram fixados nos últimos dias, por cima dos espaços onde ainda estão os símbolos da instituição ilegalizada pelo Estado angolano há um ano. Em 2008, o Estado estabelecia que “é revogado o reconhecimento da Igreja Maná Cristã, feito através do decreto-lei 14/92 no Diário da República n.º 15, 1ª série, devendo cessar todas as suas actividades em todo o território nacional”.

O Ministério da Justiça justificou a medida com o facto de a Igreja Maná ter violado sistematicamente a Lei vigente e de ordem pública. Um grupo de dissidentes acredita que a adopção do nome “Josafat”, por sinal o nome de baptismo da aeronave do apóstolo Jorge Tadeu, terá sido uma sugestão deste último para contrapor as medidas tomadas pelas autoridades angolanas, sobretudo no que tange ao património. Impedido de entrar em território angolano, Tadeu passou a reunirse mensalmente com os seus indefectíveis em Oshakati, na Namíbia. Segundo o ex-dirigente da Maná, Fleitas Gâmboa, em entrevista a este jornal, em Março deste ano, era a via que o apóstolo encontrou para “extrair o dinheiro de Angola e saía nas mãos dos próprios crentes”.

Os fiéis também realizavam actividades clandestinas em grupos reduzidos, particularmente nos municípios do Sambizanga, Ingombota e Kilamba Kiaxi. O chefe do departamento do INAR, Francisco Brandão, veio a público, através da Rádio Nacional de Angola, reconhecer que, apesar de ilegalizada, os seus membros continuavam a fazer cultos e a enviarem dinheiro ao exterior. No Bengo, crentes foram detidos e encarcerados nos calabouços da Penitenciária local, situada na antiga açucareira Heróis de Caxito. Por arrasto, António Mussaqui, um pastor da Igreja Presbiteriana de Angola, que se deslocara a Caxito por acaso, acabou por ser detido igualmente pelos efectivos da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), ao ser confundido como líder espiritual da Maná. Desconfianças No site da nova organização religiosa, onde aparece uma foto de Jorge Tadeu, este cede supostamente as propriedades da extinta Maná à Igreja Josafat de Angola, assim como exorta todo o povo angolano a servir nesta nova confissão. A nível do continente africano, Angola contava com mais de 400 filiais da Maná Igreja Cristã, espalhadas nas 18 províncias.

A maior regional estava situada em Luanda, no Golfe, e tem capacidade para receber 25 mil pessoas por sessão. Partindo do pressuposto de que haverá um mínimo de duas sessões em cada fim-de-semana e que cada fiel contribui com uma média de 20 dólares, no fim do mês os serviços financeiros podem arrecadar perto de quatro milhões de dólares norte-americanos. Trata-se de dinheiro arrecadado livre de impostos e à margem de qualquer contabilidade organizada.

“O povo angolano recebeu a notícia do apóstolo Tadeu acerca da doação dos bens da Igreja Maná de Angola (prédios, etc) para a nova Igreja angolana com muita alegria. Neste momento, o povo está a limpar os templos, pintando o novo logotipo Josafat e está também a preparar danças, cânticos e teatro para o dia da inauguração oficial”, garantem os responsáveis da nova Igreja, constituída essencialmente pelos representantes da Maná no país.

Os “antigos” representantes de Jorge Tadeu realçaram que ainda não existe uma data para a inauguração da Igreja Josafat, porque é necessário fazer vários preparativos para “trazer toda a glória para Jesus” numa festa sem igual. “Estamos na expectativa e oração de que até a senhora ministra da Cultura e a directora do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) possam vir abrilhantar esta festa de inauguração oficial, juntando-se à alegria de milhares de angolanos que vão servir a Deus com mais fervor que nunca”, lêse ainda na nota dos “ex-Maná”. Uma fonte do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos revelou que nesta instituição não há nenhum processo que prove a legalidade da Igreja Josafat. Segundo ela, há três semanas apareceu um grupo de fiéis que deixou no local um processo para o seu reconhecimento e nunca mais voltaram a pisar o local. “Podemos considerar uma afronta da Igreja Maná, mas não da Igreja Josafat.

A Lei não vai penalizar ninguém, independentemente de a Igreja ter personalidade jurídica ou não. A única implicação é que estão a utilizar as instalações da Maná”, garantiu a fonte do INAR, que solicitou o anonimato. “Ainda estamos numa fase de apuramento dos factos. Não podemos dar respostas concretas, porque estamos a tentar saber como as coisas estão ou vão. Dentro de duas semanas já teremos respostas”, explicou a responsável do Ministério da Cultura.
 
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