Contribuição de Angola no momento crítico do mercado petrolífero
22-12-2009 | Fonte: Angop
Angola passa a presidência rotativa da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo) ao Equador, no termo da 155ª Conferência que vai reunir esta terça-feira, 22/12, na capital angolana, os 12 membros do cartel, numa altura em que se regista alguma estabilidade de preços do crude no mercado internacional.

O país assumiu, efectivamente, a presidência da Organização em Janeiro deste ano, num momento crítico, em que o mercado petrolífero internacional era caracterizado por uma grande volatilidade (instabilidade) e o preço do barril de petróleo(cerca de 159 litros) chegou a cotar-se abaixo de 40 dólares norte-americanos.

Encontrar mecanismos e procedimentos que permitissem, quanto cedo, estabilizar o mercado internacional do petróleo era, certamente, a principal meta da presidência angolana na OPEP.

Angola teve, ao longo deste tempo no comando da OPEP, o difícil desafio de contribuir para a estabilidade do mercado internacional do crude, uma situação fortemente associada à crise financeira mundial.

A OPEP, cuja quota de produção é determinada pelo próprio cartel, não excluiu, no seu pacote de medidas, a possibilidade de reduzir os seus níveis de produção, até então estimados em mais de 30 milhões de barris de petróleo/dia.

Como forma de condicionar a oferta do crude e buscar o preço de equilíbrio no mercado, a redução nos níveis de produção era apontada como uma das medidas a adoptar pela OPEP para a estabilização do mercado e cortar as práticas especulativas.

Pelo comportamento actual do mercado petrolífero, evidenciando uma relativa estabilidade, pode-se aferir que a redução dos níveis de produção do cartel foi uma medida eficaz.

O barril do crude, cujo preço chegou ao extremo mínimo USD 30, nos primeiros meses deste ano, está a ser transaccionado, hoje, acima de 74 dólares norte-americanos, um valor razoável e aceitável, capaz de proporcionar certo equilíbrio entre os países produtores e consumidores, entre a oferta e procura.

De resto, a queda acentuada do preço do petróleo no mercado mundial era previsível, sinal significativo de crises cíclicas económico-financeiras das economias nacionais.

A República de Angola foi admitida como membro efectivo durante a III cimeira da OPEP, realizada nos dias 17 e 18 de Novembro de 2007, em Riyad, capital saudita, que contou com a presença do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos.

Na ocasião, e falando a propósito dos grandes desafios da OPEP, o Chefe de Estado angolano defendeu uma contribuição activa e construtiva do país na busca de soluções para o equilíbrio no mercado internacional.

“Reduzir a volatilidade dos preços do petróleo, depois de fixados a níveis que remunerem, de modo eficiente, os capitais investidos e tendo em conta a correlação entre a oferta e a procura, como um objectivo a perseguir pelos grandes produtores e consumidores”, foi defendido pelo estadista angolano na III cimeira da OPEP na capital saudita.

“Angola pretende participar de modo construtivo e activo, com os outros membros do cartel na formulação das decisões sobre o abastecimento de petróleo bruto a nível mundial, de forma que haja um equilíbrio entre os interesses dos países produtores e dos países consumidores, contribuindo também para a estabilidade de preços”, dizia o estadista angolano.

Angola, representada pelo ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, assumiu formalmente a presidência da OPEP a 17 Dezembro de 2008, em substituição da Argélia.

Os países membros da OPEP, num total de 12, somam, no seu conjunto, mais de 70 porcento das reservas mundiais do crude conhecidas.

Na sua condição de oligopólio e das grandes potencialidades que detêm no sector dos hidrocarbonetos, os países da OPEP jogam um papel importante na estabilização do mercado internacional do petróleo, concertando as suas estratégias e implementando, com rigor, as decisões tomadas pelo cartel.

Na Perspectivas da OPEP é necessário condicionar a oferta do crude para buscar o preço de equilíbrio no mercado, entre outras medidas, uma vez que a questão de escassez de petróleo no mercado não se coloca.

A concertação permanente entre a OPEP (países subdesenvolvidos, simples fornecedores de matéria prima) e outros principais agentes intervenientes no mercado internacional do crude, como os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), uma organização de Estados industrializados, é o caminho a prosseguir.

Este procedimento pode contribuir para a redução dos efeitos corruptivos da especulação no mercado internacional do crude, cujos agentes são responsáveis pelo empoleiramento de preços no “mercado futuro”.

Nesta senda, é de admitir a necessidade de países produtores de petróleo desenvolverem internamente capacidade industrial para a transformação do crude em derivados que bem precisam para o seu desenvolvimento, ao invés de se limitarem em “grandes exportadores”.

Desta forma, os membros da OPEP estariam em condições de apoiar outras indústrias transformadoras nacionais, como as de fibras sintéticas, agrícolas e de produção de fármacos.

Historicamente, a OPEP foi fundada em 1960 na cidade de Bagdad, capital do Iraque, no final de uma reunião realizada de 10 a 14 de Setembro, tendo sido registada no Secretariado das Nações Unidas como organização a seis de Novembro de 1962, com base na Resolução da ONU nº 6363.

A Arábia Saudita, o Irão, Iraque, Kuwait e a Venezuela, que proclamaram a organização, são os membros fundadores.

Com a retirada da Indonésia do cartel em 2008, a Organização dos OPEP conta actualmente com 12 membros efectivos, nomeadamente Angola, Arábia Saudita, Argélia, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Venezuela e Equador que passa a assumir, a partir de Luanda, a presidência da OPEP.

A República de Angola, membro efectivo desde Janeiro 2007, assumiu formalmente a presidência da Organização a 17 de Dezembro 2008 em Oran, Argélia.
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário