Carros novos inundam o mercado e baixa a venda de veículos usados
22-02-2010 | Fonte: JA
A forte presença de concessionárias no mercado angolano impulsionou a descida na venda de veículos usados no país. A oferta de carros novos com garantias derrubou os preços dos usados, que aos poucos deixam de ser a opção de alguns consumidores. Além da presença de representantes de marcas de viaturas, vendedores apontam vários factores inerentes a pouca procura do produto automóvel.

Os negociantes de viaturas afirmam que a crise financeira mundial e, consequentemente, a morosidade na saída dos veículos dos portos de Luanda e Lobito origina a que muitos optem pelas concessionárias. Há seis anos as vendas andavam na casa das 30 a 40 viaturas por dia, contra as seis ou sete actuais, afirma o secretário da Comissão de Expositores de viaturas, Fernando Cabral, que exerce a actividade há oito anos.

O cliente que queira comprar um carro usado, recebe-o depois de três meses, com a documentação legalizada, refere o comerciante de veículos Joaquim Santos. O vendedor informal de viatura do Golf I explica que a demora na legalização e as altas taxas geram muitos constrangimentos. O comércio de viaturas deixou de alcançar grandes rendimentos.

Gonçalves Pereira, vendedor do Feirão Automóvel, afirma que marcas como a Toyota, Hiaces, carrinhas Hilux, Mitsubishi, são as mais procuradas e os Starlet são igualmente procurados para fins de serviço de táxis.

Gonçalves Pereira revela que, apesar do aumento do número de pessoas na compra de viaturas, as vendas vão continuar a baixar nos próximos anos.

As várias opções de preços de veículos novos que as concessionárias dispõem para os clientes, originam a queda expressiva da venda de automóveis usados.

Gonçalves relata que hoje, há carros que ficam durante vários meses no parque, contrariamente ao passado, em que mais de 40 eram vendidos por dia.

Hoje apenas se consegue vender sete carros por dia, num parque onde existem 1.200 viaturas. Os carros oriundos da Europa são os mais requisitados pelos clientes. Comerciantes afirmam que Angola é o principal destino de carros usados exportados por Portugal e os carros de fabrico americano são ainda os menos aconselháveis, devido à ausência de peças no mercado.

O Rav4 americano é um dos veículos menos aconselháveis para o mercado angolano, em função do sistema de arranque.

Fernando Cabral considera que parte considerável das pessoas faz recurso aos automóveis de ocasião, apesar de as vendas terem conhecido uma redução significativa nos últimos anos.

Os carros provêm de mercados europeus, com incidência para os da Bélgica e Portugal, mas também via Dubai. Relativamente à documentação, o secretário da Comissão de Expositores no Feirão Automóvel, Fernando Cabral, refere que a venda é seguida de toda a documentação necessária. “Ao vendermos as viaturas damos o modelo “O”, a declaração de compra e venda e outros documentos. A inspecção geralmente fica a cargo do próprio cliente”, disse o responsável.

O negócio é uma caixa de surpresas. Hoje pode correr tudo de feição e amanhã pode não ser a mesma coisa, disse Waldir Moita, também vendedor de carros, que lamenta o facto de a alfândega ter as tarifas permanentemente altas. Para uma viatura Starlet com a qual se gastava 150 dólares no seu desalfandegamento em 1991, hoje chega-se a pagar 1500 dólares, sublinha Waldir Moita.
 
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