Kundi Paihama volta a declarar parte dos seus bens
01-04-2010 | Fonte: Angolense
Voluntária ou involuntariamente, o ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundy Paihama, continua a dar mostras de uma Angola completamente às avessas, cada vez mais amarrada a um tráfico de influências ao serviço da ascensão económica de governantes ou grupos ligados ao poder, ainda que o discurso oficial aponte, amiúde, para necessidade de uma equilibrada divisão das riquezas do país.

É que nem mesmo a elevada dose de humor retira do seu pronunciamento o que aos olhos de algumas correntes críticas representa insultos para quem anda à procura – é legítimo – de uma oportunidade para ver melhorada a sua situação social.

Figura emblemática do Governo do MPLA, Paihama voltou a protagonizar, outra vez em Benguela, uma «peça teatral» nada abonatória para um país que pretende acabar com males como a corrupção e o compadrio por via da agora em voga ‘Tolerância Zero’.

Depois de ter admitido que chegou a recorrer ao ‘Camarada Chefe’ para beneficiar de um crédito bancário, já farto das curvas e contracurvas do gestor do banco, disse a representantes de associações de antigos combatentes que a aquisição de um espaço para negócios (fazenda agropecuária) nunca esteve tão facilitada. «Podemos ocupar uma área qualquer e colocar o que é nosso, ninguém nos vai chatear», sugeriu o governante, aparentemente esquecido da fiscalização.

O cenário mais intrigante é que o ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria deixou escapar a ideia de que conseguiu o que tem nesses moldes. «Hoje, conto com 5 mil cabeças de gado, por exemplo, é assim que se trabalha, façam como eu».

É verdade que estas palavras, resumo do ‘filme’ do salão nobre da Delegação Provincial do Interior, deram lugar a risadas, mas o semblante dos presentes denotava, por outro, a estranheza de quem sabe que, bem vistas, as coisas não funcionam como fez crer o antigo ministro da Defesa.

O dado a reter, aparentemente insignificante, é que o show de Paihama acabou por diluir a estratégia – se é que foi apontada alguma relevante – governamental tendente a minimizar os 1001 problemas da classe dos antigos combatentes.

Não se sabe, portanto, o que os representantes das associações presentes transmitirão aos seus filiados, há muito tempo à espera, entre outras benesses, de uma pensão que dignifique e honre o seu contributo na luta de libertação nacional.

O Angolense soube que no Huambo, onde esteve recentemente, este mesmo governante chegou a assumir, também publicamente e em jeito que lhe é característico, a titularidade do Banco Angolano de Comércio e Negócios, igualmente representado na província de Benguela.
 
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