Angola necessita de paz com justiça e de reconciliação
22-10-2004 | Fonte: Apostolado
“Hoje mais do que nunca, Angola necessita de paz com justiça; precisa de reconciliação, repelindo qualquer tentação de violência”. São palavras de João Paulo II, no discurso que hoje dirigiu aos Bispos de Angola e S. Tomé e Príncipe. O Papa recebeu na manhã desta sexta-feira todo o episcopado angolano, que se encontra em Roma a efectuar a visita “ad Limina Apostolorum”.

“A todos recordo que a violência não é capaz de resolver os problemas da humanidade, nem ajuda a superar os contrastes. É preciso ter a coragem do diálogo. Estou persuadido de que o esforço e a boa vontade das partes envolvidas nas questões em aberto podem ajudar a construir uma cultura de respeito e de dignidade”, referiu o Sumo Pontífice.

No contexto actual, de reconciliação e de reconstrução, João Paulo II lembrou o papel a desempenhar pela Igreja Católica: “a Igreja, que sofreu enormemente sob os conflitos, deve manter a sua vigorosa posição a fim de proteger os indivíduos que não têm voz. Meus prezados Irmãos no Episcopado, exorto-vos a trabalhar incansavelmente pela reconciliação e a dar testemunho autêntico de unidade mediante gestos de solidariedade e apoio às vítimas de décadas de violência”.

JOVENS, NOVA GERAÇÃO DE CONSTRUTORES

A Igreja deve dar uma atenção especial aos jovens, lembrou João Paulo II. “Os jovens reclamam, da vossa parte, uma especial atenção pela luta que devem travar por um futuro digno no meio da situação geral de pobreza, frequentemente agravada pela carência da família, porque dispersa ou desfeita, e pelas sequelas da guerra que os traumatizou. Ajudai-os a rejeitarem «as tentações de empreender atalhos ilegais para chegar a falsas miragens de sucesso ou de riqueza». Os jovens angolanos, disse o Papa, “têm de compreender que são verdadeiramente uma nova geração de construtores, chamados a edificar a civilização do amor, na liberdade e na solidariedade”.

João Paulo II falou também da necessidade de defender a família “e o lugar prioritário que ela ocupa no seio da sociedade”, desejando que os programas educativos sublinhem que “amor verdadeiro é um amor casto, e que a castidade nos oferece uma sólida esperança de superar as forças que ameaçam a instituição da família e, ao mesmo tempo, de libertar a humanidade deste flagelo devastador que é a SIDA”.

ENSINO MORAL E RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Lembrando que as escolas católicas são “um meio particularmente eficaz” para a formação dos jovens, o papa afirmou que é necessário “promover o ensino moral e religioso, inclusivamente nas escolas públicas, procurando criar na opinião pública um consenso acerca da importância deste tipo de formação; este serviço, que pode derivar de uma colaboração mais estreita com o Governo, constitui uma importante forma de participação católica activa na vida social dos vossos países”.

João Paulo II exortou ainda o episcopado a não descuidar a formação dos catequistas e dos agentes de evangelização.

Antes da audiência colectiva aos membros da CEAST, João Paulo II recebeu em audiências separadas o Cardeal Dom Alexandre do Nascimento; o Arcebispo de Luanda Dom Damião Franklin com os Bispos Auxiliares Dom Anastácio Cahango e Dom Filomeno Vieira Dias; o Bispo do Lwena Dom Gabriel Mbilingi; o Bispo de Cabinda Dom Paulino Madeca e ainda o Bispo do Dundo Dom Joaquim Ferreira Lopes.

A visita "ad limina" do episcopado angolano iniciou no dia 20. Trata-se da visita que normalmente é realizada a cada 5 anos, e que inclui três partes distintas: a primeira é o encontro dos bispos com o Papa; na segunda parte, os bispos rezam nos túmulos dos santos Pedro e Paulo em Roma; a terceira parte oferece a oportunidade aos bispos de se encontrarem com os colaboradores do Papa, Prefeitos de Congregações vaticanas e Conselhos Pontifícios.

O seu nome vem da expressão latina “ad Limina Apostolorum” (aos túmulos dos apóstolos), em referência à peregrinação aos túmulos dos apóstolos que os bispos devem fazer.
 
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