Animais estão a aumentar no Parque Nacional da Quissama, Angola
28-10-2004 | Fonte: Lusa
O número de animais no Parque Nacional da Quissama "aumentou consideravelmente" desde que, há quatro anos, o programa "Arca de Noé" permitiu o repovoamento de espécies naquela área protegida de Angola, anunciou hoje o vice-director do parque, Martins Pinto.

O maior aumento foi registado entre as gungas, existindo actualmente cerca de seis dezenas de exemplares desta espécie de antílope no Parque da Quissama, situado a cerca de 150 quilómetros a sul de Luanda.

"O número de gungas aumentou consideravelmente. Foram libertados oito animais e, num espaço de quatro anos, esse número aumentou para cerca de 60 exemplares", disse Martins Pinto, em declarações à Agência Lusa.

O programa "Arca de Noé", que decorreu entre 2000 e 2001, permitiu a libertação numa área vedada do parque de dezenas de animais de várias espécies, provenientes de parques da África do Sul e do Botsuana, onde eram excedentários.

Nas largadas realizadas em Setembro de 2000 e Setembro de 2001 foram libertados no Parque da Quissama 30 elefantes, 16 zebras, 12 gnus, 12 avestruzes e quatro girafas, além de mais de duas dezenas de gungas e olongos, duas espécies de antílopes.

Os animais encontram-se numa área com cerca de 15 mil hectares, vedada com uma cerca electrificada, onde a sua protecção é garantida por um corpo de quatro dezenas de guardas armados.

Martins Pinto assegurou que os animais permanecem naquela área, desmentindo rumores de que teriam sido abatidos por caçadores furtivos, mas admitiu que a sua observação "não é fácil", atendendo ao seu reduzido número e à extensão do território onde se encontram.

Segundo este responsável, ainda continua a existir alguma caça furtiva nos limites do Parque da Quissama, mas não na zona vedada onde se encontram estes animais, situada na parte norte do parque.

"Ainda continuamos a registar alguns focos de caça furtiva no sul do parque, mas podemos assegurar que a parte norte está bem protegida", frisou Martins Pinto.

O vice-director do Parque da Quissama admitiu, no entanto, que "não será fácil" acabar definitivamente com a caça furtiva naquela zona protegida, já que se trata de uma tradição ancestral das populações que vivem dentro dos seus limites.

"Mesmo no tempo colonial, quando havia muitos animais, o povo daqui sempre caçou. O que temos é que evitar que eles cacem para vender, pois só assim poderemos diminuir a caça furtiva", afirmou.

"A caça tradicional é, até certo ponto, sustentável, mas quando se transforma numa actividade comercial acaba por provocar a extinção das espécies", acrescentou Martins Pinto.

Nesse sentido, adiantou que tem sido feito um esforço de sensibilização junto das autoridades tradicionais da região para "envolver a população no processo de conservação e utilização dos recursos naturais".

Na sequência da operação de repovoamento animal da parte norte do parque, foi também realizado um programa de reabilitação do denominado "Acampamento do Caua", tendo em vista a sua utilização para fins turísticos.

O local, situado numa zona privilegiada com vista sobre o vale do rio Cuanza, conta actualmente um restaurante e uma dezena de "bungalows", que "estão sempre ocupados aos fins-de-semana", segundo disse o vice-director do parque.

O próximo objectivo da Fundação Quissama, que lidera o processo de recuperação desta área protegida, é alargar a sua área de intervenção a todo o parque, que se estende por quase um milhão de hectares (9.960 quilómetros quadrados).

Este parque, situado na província angolana do Bengo, é delimitado pelos rios Cuanza, a norte, e Longa, a sul, dispondo de uma frente atlântica com quase 100 quilómetros de extensão.

Nesta área chegaram a ser referenciados cerca de 1.200 elefantes, 8.000 pacaças, 500 leões e várias dezenas de rinocerontes, além de centenas de animais de várias espécies de antílope.

O processo de reabilitação teve início em 1997, quando foi criada a Fundação Quissama e estabelecidos os primeiros contactos com universidades e instituições ligadas à protecção da vida selvagem da África do Sul, que depois se estenderam a outros parques naturais desta região do continente africano, culminando com o lançamento do programa `Arca de Noé`.

Foto Arquivo
 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação
Foto-Destaque
Foto-Destaque
Questionário