Quem é George Chikoty, o novo ministro das Relações Exteriores
21-11-2010 | Fonte:
George Chikoty é filho de Mateus Chikoti, figura que se tinha destacado na UPA (veio mesmo a ser representante do movimento na antiga Elizabethville) e que fez parte dos primeiros líderes da UNITA. George Chikoty passou uma boa parte da sua infância na Zâmbia, mas veio para Angola em 1975. Passou logo a ser um quadro muito próximo de Jonas Savimbi.

Nos anos 80, foi uns dos primeiros quadros do Galo Negro a serem enviados para estudarem na Costa do Marfim. Entre os seus colegas figuravam, entre outros, o falecido Salupeto Pena e Marcial Dachala. Em Abidjan, George Chikoty destacou-se como activista político e fez parte de um fortíssimo lobby que a UNITA tinha na África Oriental. Viajava para vários países francófonos.

No fim dos anos 80, começaram a surgir várias cisões na UNITA, que incluíram figuras muito próximas da direcção do movimento. O que estava em causa era a rigidez da liderança de Jonas Savimbi. George Chikoty tinha, então, transitado para Paris, onde estava a fazer um mestrado em Planificação e Urbanismo. Na altura, o representante do Galo Negro em Paris era Paulo Lukamba Gato.

Porém, o clima de bastante desconfiança e tensão instalado nas hostes do movimento chamuscou as relações entre Lukamba Gato e George Chikoti. É que vários jovens estudantes da UNITA, de repente, tinham começado a questionar as credenciais democráticas do movimento.

Em Angola, precisamente na Jamba, Jonas Savimbi suspeitava que Goerge Chikoty estava por detrás desta turbulência. Foi nessa altura que Lukamba Gato recebeu ordens para enviar George Chikoty imediatamente de regresso a Angola. Consciente do fim daqueles que tinham obedecido às ordens de regressar – como foi o caso de Tito Chingunji – Chikoty decidiu ir para o Canadá, onde a influência da UNITA não era assim tão marcante. Não ficou muito tempo no Canadá: foi para Portugal, onde formou o partido Fórum Democrático Angolano, que atraiu vários adeptos da UNITA.

Chikoty foi um dos primeiros quadros da UNITA que viajaram para Luanda, antes dos acordos de Bicesse, dando a entender que o Governo do MPLA poderia encontrar um «modus vivendi» com uma faixa do Galo Negro que não estava de acordo com Jonas Savimbi. Depois de Chikoty, figuras como Miguel Nzau Puna e Paulo Tchipilika seguiram o mesmo trilho.

O Fórum Democrático Angolano participou nas primeiras eleições e obteve um Deputado. George Chikoty, cada vez mais próximo do MPLA, passou, então, a ser Vice Ministro das Relações Exteriores, devendo ser um dos vices mais antigos no governo angolano.

Extinguiu o seu partido e ingressou decididamente no MPLA, acabando por ascender ao seu Comité Central. Embora George Chikoty tenha muitos críticos na UNITA (que consideraram a sua aproximação ao MPLA como uma traição), ninguém, porém, duvida da sua competência técnica.

Fala fluentemente o inglês; Francês; Português; Umbundo e Bemba.
 
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