Dinho Chingunji alerta: há sinais de ditadura na UNITA
29-01-2011 | Fonte: Jornal O PAÍS
O antigo candidato à presidência da UNITA, Dinho Chingunji (Na Foto), de passagem por Benguela terça-feira, 18, falou a “O País” sobre o partido fundado por Jonas Savimbi e passou a pente fino os quase 8 anos de liderança de Isaías Samakuva.

Antes de dizer fosse o que fosse, o antigo membro do Comité Permante da UNITA fez questão de sublinhar que já não é militante daquela formação partidária, pelo que as suas apreciações são as de um cidadão de “alguém com um passado no partido fundado em Muangai” .

Analisando a acção de Isaías Samakuva à frente da UNITA, o interlocutor de O PAÍS afirmou que são ganhos trazidos por Samakuva a intenção de fazer renascer uma nova UNITA depois do fim de Jonas Savimbi, que passou pela realização do congresso de reunificação de 2003. Acontece que Isaías Samakuva traiu tal intenção, na opinião de Dinho Chingunji. O político acha que depois das eleições legislativas de 2008 o actual presidente da Unita deveria pôr o seu cargo à disposição como sinal de democraticidade dentro do partido.

“Depois de uma queda tão brusca nas últimas eleições, o Dr Samakuva devia é ter posto o seu cargo à disposição ou realizar um novo congresso, como se faz nos países democráticos, para que ele pudesse medir o nível de simpatia da massa militante”. Dinho Chingunji acha que é preciso criar dentro da Unita uma nova forma de fazer política para convencer o eleitorado. “Se, por um lado, as políticas governamentais do partido no poder estão muito aquém das expectativas da juventude, por outro, os partidos políticos na Oposição não dão mostras de fazerem melhor”, disse.

O antigo membro do Comité Permante acha que a liderança de Isaías Samakuva não tem sabido convencer o eleitorado para que juntos possam promover a mundaça. “Muito pelo contrário, a UNITA está a ser conduzida pela opinião pública”, opinou. Sobre o congresso do Galo Negro, para o qual a liderança não define uma data de realização, Chingunji considera que nos últimos tempos a direcção dos maninhos está a dar mostras dos ”hábitos e costumes das lideranças africanas: vontade de se perpetuarem no poder”. Referiu que aquando do primeiro congresso (da era pós Savimbi), a ideia que ficou no ar era de que o mandato do presidente “sendo ele bom ou não” teria a duração de apenas 8 anos. “O que estou a ver agora é que eles não sabem se vão realizar o congresso ou não. Sei que a realização dum congresso acarreta muitas verbas, mas para o bem da UNITA e do próprio presidente, é preciso que se realize o congresso”, defendeu, enérgico. Reagindo ao que insistentemente alegam os partidos políticos da Oposição, sobre dificuldades no acesso à comunicação social pública, Dinho Chingunji afirma que “a atitude dos órgãos públicos não deve servir de barreira para que a Oposição, com a UNITA à cabeça, deixe de passar as suas ideias e os seus projectos de governação à população”.

“Veja por exemplo o caso do Zimbabue onde as actividades do partido MDC nem sequer tinham um pequeno destaque nos órgãos públicos daquele país, mas o MDC soube desenvolver o seu trabalho de campo, e o resultado está aí, algo que a Unita e outros partidos na Oposição em Angola não fazem”, criticou abertamente. O antigo candidato à presidência da Unita e ex-ministro da Hotelaria e Turismo no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, espera que nas próximas eleições os partidos políticos da Oposição venham ter a capacidade de mudar o actual figurino parlamentar.

No caso concreto da UNITA, disse não acreditar numa possível vitória deste partido caso Samakuva apareça como o cabeça de lista. Com Samakuva candidato – vaticina Dinho Chingunji – “será o fim do próprio partido e um dias destes diremos: era uma vez a UNITA” . “Se a Unita pretende conquistar mais simpatia do eleitorado, a curto espaço das eleições de 2012; se ela pretende nas próximas eleições livrar-se dos 10 porcento da actual legislatura, só resta uma saída para a sua sobrevivência: eleger o militante Abel Chivukuvuko, como o presidente do partido” , rematou, convicto.
 
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