Potencial agrícola nacional precisa de nova tecnologia
02-02-2011 | Fonte: JA
O representante da FAO na Comissão da União Africana e na África Oriental, o angolano Castro Camarada, afirmou, na segunda-feira, em Addis Abeba, que existe um grande futuro para o sector agrícola em Angola.

Castro Camarada, que falava a jornalistas angolanos à margem da 16ª cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Africana, que terminou, no domingo na capital etíope, manifestou-se optimista e disse que as políticas do Executivo para o sector são boas.

"O passo nesse sentido foi o investimento na reabilitação das estradas, que são fundamentais para apoiar o sector agrícola", referiu, acrescentando ser necessário passar-se para as vias secundárias e terciárias, que entram nas áreas onde há produção.

A par disso, é necessário estimular-se a produção e montar-se uma boa rede de comércio que permita a absorção dos produtos, declarou, sugerindo incentivos à agro-indústria para se fazer a transformação.

Angola, lembrou, tem um espaço enorme para montar uma indústria de transformação de sumos, além do potencial existente na área dos cereais.

Potencial agrícola

Angola é dos países africanos com mais potencialidades para desenvolver a agricultura, disse, recordando que tem uma população pequena, enormes extensões de terra e bons recursos hídricos.

"Precisamos de fazer alguns investimentos, mais irrigação e usar melhor as tecnologias para o futuro ser brilhante para o sector agrícola", disse.

O representante da FAO na União Africana manifestou-se satisfeito com a aposta do Executivo na diversificação da economia, até agora bastante dependente do sector petrolífero.

Castro Camarada sublinhou que "a agricultura é dos sectores óbvios de escolha", por envolver milhares de pessoas e poder gerar grandes rendimentos.

"Podemos transformar o nosso sector agrícola e substituir as importações, não há razões que nos impeçam de termos as nossas próprias indústrias de sumos, de produtos alimentares", afirmou.

Agricultura em África

O representante da FAO na União Africana considerou que "o investimento na agricultura e na agro-indústria não é uma opção, é fundamental para transformar o meio rural e promover desenvolvimento".

A agricultura, acentuou, é uma das grandes saídas para o continente, pois a maioria das economias africanas tem pendor agrícola.

Citando o presidente cessante da União Africana, Bingu wa Muthalika, do Malawi, referiu que se não houver alimentos não se pode dar de comer aos Exércitos, nem às crianças nas escolas, nem à mão-de-obra produtiva, nem garantir a estabilidade.

"Há, nos mercados internacionais, nova tendência de subida do preço dos alimentos, facto que, em alguns países, está a criar instabilidade e ameaças à paz", disse.

Insegurança alimentar

Uma das grandes vertentes da FAO, referiu, é aconselhar os países a utilizarem as políticas correctas.

A FAO, afirmou, vem dizendo há muitos anos que é preciso fazerem-se investimentos na agricultura, aumentando, nos orçamentos, os valores dedicados ao sector agrícola.

A par disso, referiu, a organização facilita, em alguns casos, a angariação de fundos para os países desenvolverem programas e providencia, também, assistência técnica na definição de estratégias correctas para melhorar o sector agrícola.

Sobre o desafio lançado pelo presidente da União Africana, que apontou a segurança alimentar como meta a atingir em cinco anos, o representante angolano naquele organismo africano disse ser muito ambicioso.

"Há países em que é possível", declarou, citando a Etiópia, que no programa quinquenal, lançado há poucos meses, definiu como uma das metas erradicar a insegurança alimentar.

"Outro exemplo é o próprio Malawi", disse, explicando que até há bem poucos anos aquele país dependia da ajuda alimentar do PAM.

"O Presidente do Malawi incrementou uma política de subsídios para o uso de sementes melhoradas e fertilizantes e reverteu a situação em dois ou três anos", disse, adiantando:

"Neste momento, o Malawi já exporta alguns cereais e é um país que não tem muitos recursos".

"Se Malawi fez isso, é possível que outros países também o façam", frisou o entrevistado.

Afro optimismo

Castro Camarada partilha o afro optimismo do Presidente do Malawi ao afirmar que o continente africano é um dos que tem mais recursos em termos de terras, porque a relação per capita "é ainda bastante favorável".

"Com políticas e investimentos correctos e aumento do uso de tecnologias melhoradas, África pode reverter a situação e triplicar a produção agrícola", afirmou.

Comparado com outros continentes, referiu, África é daqueles que ainda tem espaço de crescimento.

"Em alguns continentes já se atingiram os limites de potenciais máximos, mas em África existe ainda esse grande hiato entre o que é possível e aquilo que os países estão a produzir na actualidade", declarou .

"São precisas sérias transformações no aspecto do investimento e de políticas", alertou.

Irrigação

O diplomata angolano ao serviço da FAO disse ser importante que os países africanos deixem de fazer uma agricultura muito dependente das chuvas. "Tem de se fazer a irrigação, que é uma técnica importante", preveniu, referindo que boa parte dos países africanos depende da agricultura à base das chuvas, o que, com as constantes variações climáticas, os torna vulneráveis a fomes cíclicas. "Se se fizer o uso de tecnologias melhoradas de irrigação, pode contornar-se este aspecto e recursos hídricos em África há em abundância", lembrou.
 
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