Combustíveis aumentam 70%
15-11-2004 | Fonte: Apostolado
Os angolanos acordaram hoje com os preços dos combustíveis mais caros. Uma subida média de 70%, que apanhou de surpresa a população.
Com os novos preços, o litro de gasolina sobe de 20 kwanzas para 34 kz, (cerca de 0,39 usd), e o gasóleo salta de 14 Kz para 25 kz (0,28 usd aproximadamente); nos restantes derivados de petróleo, a garrafa de 12 Kg de gás de cozinha custa 378 kz, a garrafa de 51 kz passa para 1606 kz, o Petróleo Iluminante sobe para 22 kz o litro, enquanto o quilo de asfalto passa a custar 13,5 kz.
A JUSTIFICAÇÃO DO GOVERNO
O Governo justifica o aumento com a necessidade de gradualmente eliminar o subsídio aos combustíveis, e com o elevado custo das actuais subvenções. Numa nota de imprensa, o Governo afirma que o aumento do petróleo nos mercados internacionais, verificada nos últimos meses, fez com que o subsídio concedido pelo Governo aos diversos produtos, bens e serviços, tivessem em 2004 atingido mil milhões de dólares, dos quais grande parte destinado aos derivados do petróleo. Na mesma nota, o Governo considera que esse montante é “absolutamente insustentável, pois atinge 4,4% do Produto Interno Bruto.”
A última actualização dos preços dos combustíveis ocorrera no início de Maio deste ano, e na altura o aumento fora em média de 67%. O aumento dos combustíveis irá continuar, até que os seus preços atinjam “valores lógicos de mercado”, afirmam os responsáveis do Ministério das Finanças.
DESPROPORÇÃO COM A SUBIDA DOS SALÁRIOS
As primeiras reacções da população são de desagrado, tendo em conta a desproporção entre a subida dos combustíveis e a dos salários. De resto, na nota de imprensa distribuída hoje, o governo lembra que quando foi decidido este aumento (em 20 de Outubro último), foi também aprovada um ajustamento dos salários de 14,2%, muito longe dos 70% de aumento dos combustíveis.
Outra preocupação prende-se com o momento desta subida, já que nos aproximamos da época natalícia, altura em que tradicionalmente já se assiste a uma subida vertiginosa dos bens essenciais. Os consumidores temem que os transportes aumentem já, arrastando com eles a subida dos restantes preços, agravados depois com a subida do fim do ano. O próprio Presidente da República advertira no discurso de 11 de Novembro contra a tendência dos operadores económicos subirem os preços no final do ano, que agora se afigura inevitável em função desta subida tão acentuada dos combustíveis.
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