UNITA quer transformar Cafunfu em novo bastião
22-02-2011 | Fonte: O país
A UNITA quer transformar a região diamantífera de Cafunfu, município do Cuango, na Lunda-Norte, em seu novo bastião, devido ao crescente número de novos adeptos que esta força política tem conquistado nos últimos tempos, anunciou o seu presidente, Isaías Samakuva (Na Foto), durante um comício realizado nesta vila, no qual participaram segundo a UNITA, mais de 60 mil pessoas, entre adeptos e curiosos que assistiram ao acto político-partidário.

A actividade, com algum pendor eleitoralista, enquadrou-se num périplo que o líder da UNITA está a realizar na região Nordeste e Leste do país desde o dia 11, começando em Malanje, tendo já passado pela Lunda- Norte, estando neste momento em Saurimo (Lunda-Sul).

Amanhã parte para a vizinha cidade do Luena (Moxico), onde permanecerá até ao dia 22, última etapa da sua digressão que culminará com mais uma homenagem a Jonas Savimbi, presidente fundador desse partido, por ocasião do nono aniversário da sua morte.

Isaías Samakuva que chefia a delegação, integrada ainda pelos seus principais colaboradores, disse estar surpreendido com a recepção calorosa que lhe foi proporcionada pelos seus correlegionários.

A recepção a Samakuva e seus pares idos do Cuango, no segundo dia da sua visita à Lunda-Norte, aconteceu logo à entrada da vila, nesta segunda- feira, 13. Acolhidos por vários populares percorreram as principais artérias desta minúscula urbe, num cortejo automóvel, acompanhado de motoqueiros como se estivesse já em época de pré ou mesmo campanha eleitoral.

Nem mesmo o sol ardente que se fazia sentir, na altura, impediu a marcha dos militantes para saudar o seu líder. A vila de Cafunfu parou, e a Polícia Nacional (PN) teve uma tarefa árdua para manter a ordem e a tranquilidade públicas durante o acto, prevenindo eventuais incidentes de partidários eufóricos com a presença de Isaías Samakuva, que se mostrou satisfeito com o nível de organização e crescimento do partido que encontrou nas terras de "Samanyonga", o Pensador, como é também conhecida a região da Lunda pelos seus habitantes, em língua nacional Chokwe,a mais falada da região.

Votar na mudança

Ao discursar perante os adeptos e simpatizantes, o líder da UNITA centralizou o seu discurso na alternância do poder, através da realização de eleições, garantindo devolver a esperança aos angolanos, que clamam por melhores condições de vida, consubstanciadas na erradicação da pobreza, habitação condigna, alimentação, saúde, emprego e educação.

Samakuva respondia assim a algumas preocupações apresentadas pelos seus seguidores durante o acto, cuja intervenção foi interrompida várias vezes com ovações. Disse que a mudança só ocorrerá "se todos votarem na UNITA, o partido da esperança e de todos os angolanos", afirmou.

Isaías Samakuva pediu aos seus militantes para votarem sem coacção de quem quer que seja, defendendo que o exercício democrático está consagrado na Constituição. "Ninguém pode impedir o cidadão de exercer o seu direito que lhe está reservado na Constituição, ou constituir problema escolher o partido político do seu gosto", explicou a escolha "deve ser livre e sem qualquer intimidação".

O líder da UNITA reforçou que num país democrático e de direito, como é o nosso, os cidadãos têm a soberana oportunidade de eleger livremente o partido que melhor programa de governação lhes apresentar, "mas sem alguma imposição como acontece, em que militantes de outras formações políticas são intimidados pelo partido governante, desrespeitando o que está estipulado na própria Constituição".

Samakuva denunciou que o alvo principal destas alegadas ameaças" sãos os militantes da UNITA que sofrem destas privações". Sublinhou que nenhum partido político deve condicionar a escolha dos cidadãos a aderirem ao partido político que lhes convém" porque são livres de fazê-lo conforme determina a Constituição".

Acrescentou que a "carta magna" consagra direitos e deveres dos cidadãos, e é com base nela que nenhuma força política tem o direito de violar o que a própria lei estabelece. Samakuva disse não compreender a atitude de alguns políticos que ignoram "o que está legalmente constituído".

Contra a miséria e a pobreza

Discursando em cima de uma carroçaria que lhe serviu de tribuna improvisada, a pedido dos militantes que pretendiam vê-lo por perto, frisou não haver motivos para a proliferação da indigência no seio das populações, em geral, e, em particular, nesta região, onde se extrai o diamante em abundância, mas os seus habitantes vivem numa extrema pobreza, faltando-lhes água, luz,escolas e emprego.

Apontou que sendo a Lunda-Norte um produtor de diamantes, através da vasta bacia hidrográfica do Cuango, é injustificável que as populações residentes nesta região vivam em condições extremamente difíceis, faltando-lhe quase tudo para o seu próprio sustento.

O líder da UNITA defendeu que "enquanto a região continuar a extrair diamantes a vida das populações deveria mudar e não prevalecer como está", numa clara alusão às empresas nacionais e estrangeiras que exploram o rico subsolo angolano.

Isaías Samakuva deplorou ainda a atitude pouco digna de tais empresas, que evitou citar, que extraem recursos nas Lundas, sem prestar assistência social, como a construção de escolas, hospitais, estradas para a facilitar a circulação de pessoas e bens. "Está mais que evidente que estas empresas não fazem nada para o bem do povo, senão encher os seus bolsos, deixando este mesmo povo sem nada", desabafou.

Na óptica de Samakuva, os detentores de empresas deviam ajudar em algumas obras sociais as populações para diminuir a miséria e a pobreza que está patente. Denunciou ainda que mesmo o país sendo produtor de diamantes, que contribui para o Orçamento Geral de Estado (OGE), e reconhecendo a miséria da maior parte da população, o " Estado prefere ajudar outros países, como é o caso da Guiné-Bissau".

Em vez do Governo ajudar este ou um àquele país, devíamos olhar primeiro para as nossas próprias populações, que precisam de muitos cuidados urgentes e redobrados", defendendo que "a intervenção sobre esta situação deve ser urgente".

E uma destas intervenções que o "numero um" da direcção da UNITA defende é a construção de uma estrada asfaltada que ligas-se Cafunfu com as outras localidades da província e com o resto do país, porque as actuais vias secundárias e terciárias que se interligam com as outras regiões estão em avançado estado de degradação.

Situação que o líder da Unita constatou durante o percurso efectuado entre Cuango-Cafunfo e Muxinda, ou ainda Cafunfo-Cuango e Xá Muteba. Tais vias requerem uma intervenção urgente de quem de direito, caso contrário, o município do Cuango que detém o sector de Cafunfu e a comuna do Luremo poderão ficar isolados por via terrestre com as demais localidades, aliás, é o que acontece quando as chuvas caiem sobre o solo Lunda, diz o líder da UNITA.

Durante a sua digressão, Isaías Samakuva já visitou os municípios de Cacuso, Cangandala e Caculama (Malanje). Cuango, Cafunfo e Kapenda Kamulemba (Lunda-Norte). Fazem ainda parte da lista, Cacolo, Mona Kimbundu e Saurimo (Lunda-Sul).

Nessa visita, que serviu para constatar o funcionamento das estruturas provinciais e também "medir a pulsação" do eleitorado da UNITA, Samakuva teve um único discurso em todas as localidades: " preparar-se para vencer as próximas eleições".

Esse discurso foi amplamente aplaudido pelos seus militantes que prometem fazer a diferença nas próximas eleições, com base na aposta de mais trabalho de recrutamento e mobilização das massas para aderir à UNITA. Domingos de Oliveira, secretário provincial da UNITA na Lunda-Norte é um dos que assumiu que na sua área de jurisdição fará tudo que estiver ao seu alcance para se alcançar o objectivo preconizado.

Nestes sete dias que Samakuva trabalha fora do seu gabinete, a sua "arma de arremesso" contra o seu principal adversário político, o MPLA, está apontada no suposto incumprimento das promessas feitas aos seus eleitores durante a campanha eleitoral de 2008, que se resume na oferta de bens básicos como: água, luz, emprego.
 
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