MPLA lidera reformas democráticas
22-02-2011 | Fonte: Jornal de Angola
O MPLA, enquanto partido no poder, deve manter a iniciativa das mudanças e reformas no país, defendeu o vice-presidente daquela formação política, Roberto de Almeida, durante a mesa redonda sobre a ideologia política do partido, realizada na sexta-feira no Centro de Convenções de Belas.

Ao dissertar sobre o tema "Princípios e valores do socialismo democrático", Roberto de Almeida manifestou-se preocupado com o facto de muitos cidadãos perderem a noção dos valores morais e éticos, da solidariedade e do comportamento digno que sempre enformaram a sociedade angolana.

A perda de valores, sublinhou, não elimina apenas a solidariedade, como também deforma o futuro da pessoa humana. Cada vez mais, acrescentou, "os homens mostram menos solidariedade e se interessam mais por viver o presente, satisfazendo mais os seus desejos egoístas, pouco se importando com as gerações vindouras".

A esse propósito, o vice-presidente do MPLA defendeu a consolidação do trabalho com vista ao reforço dos ideais do partido. Apontou igualmente a educação para a cidadania, a moralização da sociedade e a força do exemplo dos militantes como pedra basilar da acção do MPLA. Roberto de Almeida considerou a reprodução da mesa redonda sobre a ideologia do partido nas províncias, municípios e comunas como uma tarefa fundamental para o "êxito que se pretende". O líder partidário indicou que a tarefa não se limita aos militantes do partido, apontando por isso a necessidade da criação de condições para uma participação mais ampla e organizada na discussão dos problemas da nação por todos os cidadãos que se mostrem dispostos a contribuir para a consolidação da democracia multipartidária em Angola.

Referindo-se ao socialismo democrático, ideologia adoptada pelo MPLA, disse que esta defende a justiça social, o humanismo, a liberdade, a igualdade e a solidariedade e tem como fundamentos a garantia da harmonia entre o desenvolvimento individual e colectivo, a preservação dos valores nacionais e a defesa dos direitos, liberdades e interesses de todos os cidadãos.

Roberto de Almeida traçou o percurso histórico da ideologia do MPLA, afirmando que as transformações que ocorreram no partido ao longo das últimas décadas "deram uma grande vitalidade e criaram as condições para um crescimento espectacular das suas fileiras". Apontou como exemplo que, em 1977, o MPLA contava com apenas 110 mil militantes e no ano seguinte já eram 998.119. Em 2009, o número de militantes ultrapassou os quatro milhões. "Esse crescimento, derivado das várias etapas de luta do MPLA e do trabalho árduo desenvolvido pelos dirigentes, quadros, militantes e simpatizantes em geral, espelha bem a pertinência, o impacto e a relevância das transformações operadas nesse período e são a prova evidente de que o MPLA só não acelerou o cumprimento do seu programa maior devido às circunstâncias", disse.

Ao discursar na abertura do encontro, Roberto de Almeida saudou a iniciativa, afirmando que a realização da mesa redonda "constitui um passo relevante e dinamizador do sistema de formação político-ideológica do partido".

Na mesa redonda, o chefe da bancada parlamentar do MPLA, Virgílio de Fontes Pereira, que falou de "Socialismo democrático e democracia política", defendeu a afirmação e materialização dos ideais do socialismo democrático por parte de todos os militantes.

O secretário para os Assuntos Económicos do partido, Manuel Júnior, que falou sobre o socialismo democrático e a acção económica e social, indicou que o MPLA defende, nos seus estatutos, um modelo em que o Estado assume o papel crucial de agente regulador e coordenador da actividade económica e social.

Após a apresentação dos três temas, vários militantes colocaram questões ou deram contribuições sobre a opção ideológica e o enquadramento das soluções para os principais problemas que afligem a população. O encontro surge em materialização das orientações do VI congresso do MPLA.
 
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