Proliferação de igrejas pelo país é «um problema social»
14-06-2011 | Fonte: Sic Notícias
A ministra da Cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva, disse hoje, em Luanda, que o país regista um movimento religioso "crescente", o que considera ser "um problema social", para o qual deve ser encontrada uma resposta.

A governante angolana falava à imprensa, no final da abertura de um seminário que hoje teve início em Luanda sobre "O Fenómeno Religioso em Angola: Um debate recorrente".

Angola tem um registo de 900 denominações religiosas a aguardar por acreditação para o exercício das suas atividades no país.

Segundo a ministra da Cultura de Angola, a realização deste seminário tem como objetivo encontrar saídas para o problema, através de um diálogo entre o Estado e as igrejas, na busca de soluções para várias questões.

"Por exemplo, um problema que nos aflige bastante é o da problemática das crianças acusadas de feiticeiras", acrescentou Rosa Cruz e Silva.

"É preciso estudar, analisar profundamente as razões que estão na base deste problema, para que possamos dar os direitos que as crianças têm de viver de acordo com a sua natureza e os preceitos da nossa sociedade", referiu.

Rosa Cruz e Silva considerou grave a situação, porque algumas dessas igrejas praticam acções, rituais que não vão de acordo com a cultura e a realidade angolana, provocando "impactos desvantajosos". "É preciso intervir e encontrar soluções mais apropriadas, sem ferir a susceptibilidade das crenças da nossa população".

O aparecimento dessas seitas surgiu, sobretudo, no período pós conflito armado, com a migração forçada das populações de umas zonas para outras e ainda com a abertura das fronteiras, referiu a governante angolana.

A maioria das novas igrejas que se instalaram nos últimos anos em Angola tem origem na vizinha República Democrática do Congo.

De acordo com Rosa Cruz e Silva os Ministérios da Cultura e Justiça de Angola estão a actuar de forma concertada para que as pessoas envolvidas nessas práticas e que lesem a vida de outrem possam ser responsabilizadas criminalmente.

"Existe uma lei a que nos referimos, que tem algumas questões de fundo para serem resolvidas para que consigamos mudar esse movimento, daí a urgência de aprofundar debates desta natureza e sobretudo promover estudos que vão levantar as principais questões que estão na base deste fenómeno para encontrar as respectivas soluções", salientou.
 
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