EPAL empreende ataque à máfia de água
05-07-2011 | Fonte: Semanário Angolense
Os moradores de alguns bairros de Luanda foram surpreendidos na madrugada de sábado passado, 25 de Junho, por um grande movimento de viaturas e elementos da Polícia acompanhados de trabalhadores da Empresa Pública de águas de Luanda – EPAL, que batiam portas e gritavam ordens.

Passava pouco das quatro horas, estava um tanto frio, o amanhecer tarda nesta época de cacimbo e no interior das residências as pessoas dormiam ainda. Alguns deitaram-se tarde depois de uma sexta-feira bem passada; outros dormiam mais descansados porque não tinham de ir trabalhar ao sábado e aproveitavam para relaxar mais um pouco e quebrar o stress de uma semana de trabalho.

Quando começaram as batidas nas portas e os pedidos para que as abrissem, a primeira reacção foi de surpresa e medo: afinal o que se passava? Seria algum levantamento, alguma revolução? Receosa, muita gente não abriu as portas de imediato até que tivessem a certeza do que se passava na realidade. Porém, os agentes da Polícia não esperaram que as portas fossem abertas e começaram a forçá-las. Saltaram mesmo os muros e chegaram a arrombar algumas portas.

Só depois se teve consciência de que se tratava de uma rusga para detenção de vendedores ilegais de água, sobretudo dos que se aproveitam indevidamente de ligações clandestinas às condutas ou desvio destas para proveito próprio. Esta medida da Polícia Nacional e da EPAL aconteceu em simultâneo nos municípios de Viana, Kilamba Kiaxi, Samba e uma parte da Maianga, ou seja, na área que se junta com a Samba. A operação, segundo a própria Polícia, teve êxito, porquanto foram detidas diversas pessoas que se dedicavam ao negócio, para além de meios como moto-bombas e dezenas de camiões cisternas, além da destruição de tanques de armazenagem de água.

A manhã daquele sábado esteve muito agitada nos vários bairros dos municípios onde se efectuou a operação, com tractores partindo os tanques, carrinhas da Polícia transportando os detidos, colunas de camiões cisternas escoltadas por agentes da corporação e dezenas de curiosos atentos a tudo, comentando, discutindo e tentando interceder junto das autoridades por este ou aquele indivíduo detido.

Reacções diversas surgiram de imediato. A medida foi bem-vinda para os que se sentiam prejudicados pelo desvio ou violação das condutas e tardou a chegar. Entretanto, para a maioria, para a população sacrificada e carente, que vive em bairros onde o precioso líquido não existe, por falta de condições de abastecimento por parte das entidades competentes, tal acção foi uma dura penalização, justamente num fim-de-semana, quando as famílias têm que executar tarefas domésticas prementes que não podem ser feitas durante a semana, entre outras coisas.

As pessoas que diariamente têm de comprar água a quem vende, a preços exorbitantes, muitos percorrendo grandes distâncias, ao longo desta semana viram a sua vida seriamente complicada, porque os pontos habituais onde se abasteciam, como em casas com tanques no quintal, que compram água aos camiões cisternas para a revender ao balde e bidões, ou ficaram sem os tanques, ou fecharam as portas por medo, incluindo as casas com água corrente, nos bairros onde há rede e facilitavam, embora vendendo porque também têm despesas com a EPAL, às pessoas que não têm água canalizada. Esta situação acontece por toda a Luanda, não só nos municípios que foram alvo desta operação conjunta, e já dura há longos anos, sem que se vislumbrem tendências de melhoria.
 
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