Oferta de navios a Angola gera críticas à chanceler federal Angela Merkel
15-07-2011 | Fonte: DW-World Brazil
Depois das críticas à suposta venda de tanques à Arábia Saudita, o governo alemão é novamente alvo de polémica. Desta vez são os negócios com Angola: a chanceler federal Angela Merkel anunciou Quarta-feira (13/07), em Luanda, que a Alemanha fez uma oferta para vender navios de patrulhamento ao país africano.

De acordo com a imprensa alemã, o negócio envolve de seis a oito navios de patrulhamento da empresa Lürssen, com valor unitário entre 10 milhões e 25 milhões de euros. O jornal Frankfurter Rundschau afirma que se trata de corvetas para o patrulhamento costeiro.

Segundo a chanceler federal, a venda faz parte de um acordo mais amplo de cooperação internacional, que envolve também o treinamento de soldados. Segundo ela, o objectivo seria a capacitação de militares africanos, para que, no futuro, eles possam assumir mais missões da ONU no continente.

Diante de críticas de que se trata da venda de armamento, a chefe de governo alemã afirmou que os navios têm por finalidade a protecção das fronteiras do país africano, "o que é normal", completou.

Durante a visita à capital Luanda, Merkel afirmou ainda que a "Alemanha está pronta para uma parceria em energia e matéria-prima". Ela disse que a Alemanha pode ajudar o país africano a utilizar cada vez mais energias renováveis, e não apenas gás e petróleo.

Críticas

A repercussão do acordo no meio político alemão foi rápida e negativa. A presidente do Partido Verde Claudia Roth condenou a parceria. "Angola é um dos países mais pobres do mundo e sofre com a forte corrupção. A nação certamente precisa de toda ajuda e apoio, mas certamente não precisa de navios de patrulhamento para proteger fronteiras."

Segundo Roth, apesar das críticas à suposta venda de tanques alemães aos sauditas, Merkel mais uma vez se colocou no papel de "patrona do lobby armamentista alemão" e feriu novamente as regras para a exportação de armas.

Rolf Mützenich, porta-voz para assuntos internacionais do Partido Social Democrata (SPD), disse que a oferta é inaceitável. "Angola não é um modelo de democracia. Além disso, o clã do presidente aparentemente é muito propício à corrupção", declarou ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger desta quinta-feira.

Situação angolana

Um estudo recente publicado pelas Nações Unidas mostrou que Angola viveu um dos processos de crescimento económico mais dinâmicos entre todos os países africanos nas últimas décadas.

Dados do Banco Mundial apontam que o Produto Interno Bruto de 2010 foi de 86 bilhões de dólares – graças à alta na produção de petróleo e aos preços elevados. Depois de 27 anos de guerra civil, o país desfruta de paz desde 2002, quando um acordo foi assinado entre União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) e o principal movimento que lidera o País.

Dados de 2010 indicam que 37% da população ainda vive abaixo da linha da pobreza.
 
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