BIC vai ter solvabilidade adequada após integração do BPN
24-12-2011 | Fonte: O País (Luís Faria)
Com a aquisição do Banco Português de Negócios (BPN) o BIC torna-se a mais internacionalizada marca angolana, logo a seguir à Sonangol. Ainda esta semana o Fundo Monetário Internacional relevou, no âmbito da sua segunda avaliação da economia portuguesa no âmbito do empréstimo que concedeu, em conjunto com a União Europeia, a Portugal, a conclusão das negociações com o Banco BIC relativas à venda de BPN, adiantando que foi assinado um “contrato promissor”.

Desde dia 31 de Julho último, quando o Ministério das Finanças português anunciou, em comunicado, ter sido o banco BIC o escolhido entre as quatro entidades que concorreram à reprivatização do BPN, pelo qual ofereceu € 40 milhões, sendo 25% entregue no acto da assinatura do contrato promessa compra e venda e o restante na altura da transmissão das acções da instituição, decorreram mais de quatro meses de negociações. O presidente da Comissão Executiva do Banco BIC Português, Luís Mira Amaral, fala-nos, após se ter chegado a um desfecho de um processo que não terá sido fácil, do calendário da integração do BPN no BIC, dissipa algumas questões que têm vindo a lume e assinala as vantagens da operação para os clientes das duas instituições.

O que sente ao fim de uma maratona de negociações que se prolongou por mais de quatro meses?

De satisfação do dever cumprido e de ser respeitado o acordo de princípio feito com este intuito.

O desfecho desta operação vai contribuir para o reforço das relações económicas e financeiras entre Portugal e Angola?

O BIC Angola e o BIC Português têm contribuído para o reforço das relações económicas. Na medida em que o Banco BIC Português fica com maior dimensão e mais músculo obviamente que tal poderá contribuir para o reforço do nosso trabalho.

Isso significa que a base de clientes do banco BIC Português que já tem negócios com Angola irá alargar-se?

O BIC Português tem um código genético de banco de apoio às empresas, nomeadamente às exportadoras e ao financiamento das suas operações em Angola. Na medida em que passamos a ter uma rede maior passamos a ter mais dimensão para aprofundarmos o que vimos a fazer.

Em que medida a operação também beneficiará os clientes do BIC Angola?

Sempre tivemos a preocupação de que os clientes do BIC Angola vissem, em Portugal, o BIC Português como o seu banco. Mas tínhamos uma cobertura territorial pequena. Agora, a partir do momento em que passamos a estar em todo o país, essa preocupação pode concretizar-se melhor, é mais fácil atingir esse objectivo.

Quando é que o BPN passará a utilizar a marca BIC Português...

Agora vamos fazer o contrato de compra até Março. A partir desse momento vamos comprar os 5% das acções do BPN que estão na posse dos trabalhadores. Só depois disso é que podemos fazer a integração do BPN no BIC. O BPN desaparece e é integrado no Banco BIC Português.

Com quantas agências do BPN é que o BIC vai ficar?

Comprometemo-nos a ficar com um mínimo de 160 mas podemos ficar com mais.

A conversão das agências irá custar algum dinheiro...

Já o tínhamos previsto no plano de negócios.

Até ao meio de 2012 essas agências já exibirão a marca BIC?

Gostaria que tal acontecesse mas não se esqueça que após comprarmos o BPN ainda teremos de comprar os 5% dos trabalhadores, e ainda há a autorização, só depois é que vem a integração. Não me quero comprometer com prazos.

Quais os maiores desafios que se colocam nos próximos meses no que respeita à integração do BPN no BIC?

Não se esqueça que as pessoas do ex-BPN têm passado por uma fase muito difícil e turbulenta, temos que motivá-las e pôr as agências a funcionar.

Não para fazer crédito à habitação mas para funcionar mais numa lógica de captação de recursos para financiar as PME portuguesas.

Os actuais clientes do BPN permanecerão no banco?

No ex-BPN temos trabalhadores, clientes e depositantes. Queremos ter motivados os nossos trabalhadores, clientes e depositantes.

Qual a motivação que os clientes do ex-BPN têm relativamente a esta operação?

Se os clientes do ex-BPN se aguentaram, se não saíram até agora, a partir do momento em que passam a integrar-se num grupo bancário sólido, com accionistas fortes e que têm um banco em Angola é óbvio que ficam com uma garantia de credibilidade e confiança excelente.

Após concluída a integração a quanto irão ascender o capital e os activos do BIC Português?

Nós temos capitais próprios da ordem dos € 33 milhões. Neste momento não conheço o balanço do BPN, conheço o do BIC, pelo que não lhe posso responder a essa pergunta.

Qual o posicionamento do BIC, após a integração do BPN, no ranking da banca portuguesa?

O de um banco de dimensão média.

A maior parte, senão a totalidade dos bancos que se encontram acima do BIC no ranking da banca portuguesa, com excepção da Caixa Geral de Depósitos, terão de recorrer aos € 12 mil milhões fixados no acordo entre o Estado português e as entidades internacionais para reforçar o capital. O BIC está completamente à margem desse processo?

O BIC Português tem capitais e um rácio de solvabilidade adequado. O BPN vai ter um rácio de solvabilidade adequado pelo que não precisamos de recorrer a essa linha de financiamento.

O que significa que o BIC poderá ser o único banco em Portugal que não se confronta actualmente com problemas de solvabilidade?

Não lhe sei dizer. Terá de perguntar aos outros bancos. Nós não temos essa preocupação.

A imprensa referiu que, durante as negociações, o BIC manifestou vontade que o reforço do capital do BPN por parte do Estado fosse além de € 750 milhões...

Não comento especulações da imprensa. Ouvi muitos disparates nesta fase, não vou comentar. O compromisso do governo é entregar-nos o BPN com rácios de solvabilidade adequados. Não sei qual é a situação líquida do BPN neste momento. Sei qual é o ponto de chegada não sei qual o ponto de partida, não lhe sei dizer quanto é que o governo lá tem de pôr.

Quanto aos processos judiciais que impendem sobre o BPN, é claro que serão assumidos pelo Estado português?

Todos os processos judiciais que tenham a ver com o passado decorrem por conta do vendedor. Somos a nova equipa de gestão, não temos nada a ver com o passado do BPN.

A aquisição do BPN pode ser vista como uma afirmação dos capitais luso-angolanos no mercado português e europeu?

A estrutura accionista do BIC em Angola, que é idêntica à do BIC Português lançou uma instituição que é um dos grandes bancos do sistema angolano.

Começámos a operar em Maio de 2008 e somos uma instituição absolutamente credível, tendo adquirido agora o BPN. Tudo isto representa uma prova inequívoca de credibilidade e de sucesso.
 
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