Eleiçoes gerais: Atentos à lista
18-02-2012 | Fonte: O País
Como se os outros partidos políticos não tivessem, também eles, listas nominais a preparar para as eleições gerais a caminho, o MPLA “rouba” nesse quesito todo o protagonismo. Todos militantes, opositores e indiferentes querem saber quem serão, afinal, os integrantes da relação de homens e mulheres com maiores probabilidades de virem a ser poder na próxima legislatura em Angola.

Q uando há uma semana o Comité Central do MPLA se reuniu em Luanda, o seu Presidente, José Eduardo dos Santos, deixou ditas no acto de abertura do fórum partidário palavras de um alcance doutrinal e metodológico que, em política, têm o condão de afastar equívocos mostrando o caminho certo. São as que se referiam, nomeadamente, aos princípios e critérios para a elaboração da lista de candidatos a deputados à Assembleia Nacional nas eleições que vão decorrer este ano.

José Eduardo dos Santos, num único período do seu discurso, indicou o caminho do qual os militantes com responsabilidades na preparação dessa lista sensível não se poderão afastar, sob pena de embaraçarem a própria performance do partido na captação das simpatias do eleitorado. “(…)da justeza com que for elaborada a referida lista depende em grande medida o reforço da credibilidade do nosso Partido e a confiança dos eleitores naqueles que se vão responsabilizar pela aprovação das leis e pela execução do futuro programa de governação”, disse.

É certo que o MPLA tem a sua própria aura, alicerçada em mais de cinquenta anos a consolidar mística e confluências no seio dos angolanos. São de tal ordem as cumplicidades estabelecidas entre a formação política e as amplas massas, reforçadas quase de modo espontâneo em todos os momentos que a nação pareceu soçobrar frente a conspirações diversas, que uma leitura mais romântica do seu percurso pode conduzir à tentação de se considerar o MPLA um corpo imune a nomes e pessoas, bastando-se a si mesmo para garantir triunfos.

Não se pode nem deve dizer que a observação seja certa ou errada em termos absolutos, mas antes funciona como a filosófica teoria do copo meio cheio ou meio vazio. Depende sempre do ângulo que se pretenda valorizar.



 
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