França espera a visita de Eduardo dos Santos- embaixador francês
17-04-2012 | Fonte: Novo Jornal
O embaixador Philippe Garnie reconheceu que o diálogo político entre Angola e França estava fraco e a visita do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, a Paris o país deu um novo impulso às relações. A visita do presidente angolano a França seria importante para completar a reaproximação.Como é que avalia as relações entre Angola e França?
O facto mais marcante que aconteceu foi a visita, há dias, do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, a Paris. Não foi uma visita ordinária, no sentido em que há vários anos os ministros angolanos das relações exteriores não se deslocavam a Paris numa visita oficial e esta visita serviu para dar um novo impulso às relações entre os dois países.
O que é que foi abordado durante a visita do ministro Chikoti a Paris?
Essa visita teve várias partes. O ministro Georges Chikoti encontrou-se com três ministros, com o presidente da Assembleia Nacional, com o secretário- geral da Organização Internacional da Francofonia, com a Agência Francesa de Desenvolvimento, entre outros encontros. Foram bastantes os assuntos discutidos. O motivo principal da visita era relançar a relação política.
Como é que estavam as relações políticas entre os dois países?
O diálogo político estava um pouco fraco há vários anos, era tempo de voltar a um diálogo mais estreito. Como se lembra, o presidente (Nicolas) Sarkozi veio a Angola em 2008.
Desde então, houve muito pouca troca de ministros. O campo político é fundamental nessa relação.
Qual é a garantia no campo político?
Não se fala em garantia quando há diálogo. O diálogo é para expressar pontos de vistas, compartilhar dificuldades, opiniões, coisas que devem ser feitas. Falo, por exemplo, das crises que o mundo atravessa: crise económica, financeira, como também nas regiões do mundo, no médio oriente. Houve crises na África do norte, continua a haver também na África em geral. Esse diálogo permite avaliar, entender e compartilhar as análises de cada um e quais os passos que podem ser tomados. França e Angola têm um papel muito particular nesse sentido.
Em que é que se reflecte esse papel?
Na África subsariana, Angola tem um papel bem conhecido. É uma potência regional, já agiu em várias crises, tem muitos amigos. França também tem uma presença bem conhecida e, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, logicamente, sente uma responsabilidade na resolução das crises. Como a França tem uma história bastante longa com o continente, evidentemente, os dois países têm muito para trocar.
Nem sempre isso foi feito e essa visita serviu para remodelar a relação, criar o mecanismo de consultas e de trocas a vários níveis, no campo político.
O caso Falcone “azedou” as relações entre Angola França?
As relações Angola/França não são limitadas ao chamado caso Falcone. As relações são muito antigas. França foi um dos primeiros países a reconhecer a independência de Angola e, além disso, as trocas têm sido muito fortes. Houve momentos em que os mal-entendidos podiam surgir, isso acontece entre os melhores amigos e enfraquece o diálogo. Os problemas que podem surgir entre os melhores aliados podem ser discutidos e o caso Falcone é uma coisa do passado. O processo judicial acabou e as coisas estão terminadas nesse campo.
Pode falar do outro lado da visita do ministro Chikoty?
O campo político era fundamental na visita. Em que é que a visita do ministro Chicoty foi importante? O ministro chegou a França no dia 21 de Março. Para a França, 21 de Março é importante, é a data da primavera. Então, essa visita é realmente a primavera da relação entre Angola e França. Foi a oportunidade, no campo bilateral, de discutir vários assuntos e rever vários projectos, no âmbito da cooperação, da segurança, da cooperação militar... Essa visita teve o propósito, não apenas de continuar esses campos, mas de institucionalizar e aprofundar várias coisas.
Foi uma visita bem sucedida nesse sentido?
Em termos de visita, o ministro Georges Chikoti encontrou-se com o ministro do Interior francês, que convidou o seu homólogo, Sebastião Martins, a ir a Paris para ampliar na cooperação. Esperamos que isso possa acontecer brevemente e, sobretudo, depois da visita do Presidente Sarkozy a Luanda, claro que as autoridades francesas esperam com muito prazer uma visita do Presidente dos Santos a França. Isso seria um processo normal para completar esse movimento que está acontecer entre os dois países.
A ministra do Ambiente de Angola, Fátima Jardim, também visitou a França.
Uma semana antes da chegada do ministro Chikoti, esteve em França a ministra do Ambiente. Ela participou no fórum mundial sobre água, mas também fez uma visita de trabalho bilateral e parece-me que ficou muito contente com o que viu. Nós vamos fazer tudo para cooperar neste campo. Angola tem tomado posições muito fortes e está preocupada com o meio ambiente. Vamos desenvolver uma cooperação nesse campo que acho muito positiva.
E a cooperação francesa a nível do ensino, como está?
A cooperação francesa em Angola tem um foco principal no ensino superior, porque as necessidades aqui são enormes. Temos vários projectos, mas gostaria de mencionar um que existe no desenvolvimento dos institutos de ensino técnico-superior, no qual França e Angola trabalham numa parceria bastante estreita. França participa na criação de programas no instituto de Saurimo, Soyo. Há algumas semanas, lancei a primeira pedra de um instituto em Malanje, no sector agro-alimentar, são projectos financiados por ambas as partes, e que servem para desenvolver o país. Há um programa que foi assinado entre a França e o Instituto Nacional de Bolsas no ano passado.
Está preenchido esse programa?
Este ano havia 40 vagas, já há 25 estudantes para preenchê-las. A visita do ministro Chikoti mostrou também o caminho que vamos tomar. Acima do ensino técnico superior, queremos entrar na fase de formação para engenheiros. O ministro Chikoti visitou a mais velha escola de engenharia civil do mundo, em Paris, acho que gostou bastante e estamos a reflectir sobre como começar um programa novo para formação nesse sector.
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