Angola com maiores ganhos em desenvolvimento humano
22-05-2012 | Fonte: Novo Jornal
Dez dos doze países com maiores ganhos no índice de desenvolvimento humano da ONU desde 2000 são da África Subsaariana e entre eles estão Moçambique e Angola, indica um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

O relatório, o primeiro do PNUD sobre desenvolvimento humano em África, mostra que o Ruanda (2), Serra Leoa (3), Etiópia (4), Moçambique (5), Mali (6), Burundi (7), Níger (8), Tanzânia (9), República.

Democrática do Congo (10) e Angola (12), por esta ordem, estão entre os 12 países com maiores subidas no índice de desenvolvimento humano (IDH) entre 2000 e 2011.

O relatório lembra que a região da África Subsaariana tem estado a convergir com o resto do mundo em termos de crescimento económico, com taxas superiores à média mundial, o que poderá explicar as melhorias ao nível do desenvolvimento humano.

Mas, mesmo quando se retiram ao IDH os critérios relacionados com os salários e se analisa o desenvolvimento humano com base em critérios como a saúde e a educação, dez dos 12 países com melhores desempenhos são daquela região: Ruanda (2), Níger (3), Burundi (4), Mali (5), Tanzânia (7), Etiópia (8), Serra Leoa (9), Moçambique (10), Angola (11) e Libéria (12).

O relatório sublinha o paradoxo de as melhorias impressionantes no crescimento económico e no desenvolvimento humano não terem resultado em progressos comensuráveis na nutrição da população e na segurança alimentar.

“Apesar de o caminho do desenvolvimento na última década ter sido esperançoso, a região continua a sofrer de insegurança alimentar, uma condição precária que ameaça os seus ganhos recentes e a expõe a súbitos revezes”, pode ler-se no documento.

O relatório alerta que a África Subsaariana continua afectada por “níveis intoleráveis de malnutrição” que, se não forem mudados, podem resultar em “deficiências físicas e mentais irreversíveis nesta geração e nas seguintes”.

“Estima-se que a malnutrição crónica, medida pela percentagem de crianças enfezadas, tenha diminuído apenas dois pontos percentuais (de 43 para 41 por cento) entre 1990 e 2010 e este número só deverá cair mais um ponto percentual na próxima década”.

Além disso, o número absoluto de crianças malnutridas tem aumentado na última década e estima-se que continue a aumentar até 2020.

De acordo com o relatório do PNUD, um quarto dos 856 milhões de cidadãos da África Subsaariana – perto de 218 milhões de pessoas – estão malnutridos.

O texto identifica dois problemas essenciais: a aposta nas cidades e não no mundo rural e a aposta nos homens e não nas mulheres, já que estas são produtoras alimentares significativas, mas o seu controlo da terra na África Subsaariana é menor do que em qualquer outra região do mundo.

O PNUD afirma que os governos africanos investem menos de 5 a 10 por cento dos orçamentos na agricultura, muito abaixo da média de 20 por cento que os governos asiáticos dedicaram ao sector durante a sua revolução verde.

O programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento advoga que, para melhorar a segurança alimentar na região, é preciso actuar a quatro níveis: produção agrícola, nutrição, acesso aos alimentos e dar mais poder aos pobres das zonas rurais.
 
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