«Punição dos peões deve merecer abordagem profunda», diz Jorge Bengui
25-05-2012 | Fonte: Jornal OPAÍS
Muitas pessoas perdem a vida nas estradas em Angola. Só em Luanda, na Avenida Deolinda Rodrigues, mais de 200 pessoas por ano morrem atropeladas.

Em entrevista ao Jornal “OPAÍS”, Jorge Bengui do Governo provincial de Luanda, disse que muitas vezes os próprios piões são responsáveis, mas que está é uma questão que deve ser melhor abordada.

Confirma que na estrada de Viana morreram mais de 200 pessoas em 2011? Quais foram as principais razões?

Segundo o Relatório da Polícia Nacional, só na Avenida Deolinda Rodrigues e parte da Estrada Nacional 230 morreram atropeladas 226 pessoas; São várias razões; vamos sublinhar o facto de a estrada estar ainda em obras e por causa disso algumas medidas de segurança, como, por exemplo, as passagens superiores para peões, a iluminação pública e a sinalização não estarem concluídas. Ainda assim, as regras de trânsito aconselham que a travessia de via deve ser feita de forma a que a pessoa não coloque a sua vida em perigo. Isto é, devemos primeiro olhar para um lado e outro da estrada, ver se vêem veículos e a distância em que se encontram, e iniciar a travessia somente se tiver a certeza de que vai começar e terminar sem haver risco de ser atropelado. Aqui temos verificado alguma imprudência por parte de alguns utentes, de igual forma a falta de auxílio que cada um de nós deve dar a determinadas pessoas, como por exemplo os portadores de deficiências físicas, idosos, crianças e grávidas, no atravessamento da via. Isto tudo por um lado; por outro lado, a pouca prudência dos condutores; sobre os condutores, as regras recomendam que a condução deve ser feita com máxima prudência e ajustar a velocidade de acordo com a zona em que estiver a circular. Repara que estamos a falar de uma via que se encontra dentro das localidades, e temos que moderar sempre a velocidade por forma a sermos capazes de efectuar uma travagem repentina e em segurança se nos surgir a frente um obstáculo inesperado, que pode ser uma criança, um animal, etc…

Quais são as outras estradas mais perigosas a nível da cidade de Luanda? E o que é que a Direcção Provincial de Tráfego e Mobilidade está a fazer para inverter o quadro?

Temos parte da estrada da Samba, a estrada do Camama e Calemba 2, a Avenida Pedro de Castro Vandun Loy e parte da estrada Nacional 100 via Cacuaco. A maioria dessas vias está em obras, vamos em conjunto com o IENEA exigir maior rigor por parte do empreiteiro na colocação da sinalização rodoviária e estamos a trabalhar também com o Ministério da Energia e Águas para a melhoria da qualidade de iluminação pública em alguns troços.

Estamos a implementar algumas medidas de segurança, como por exemplo campanhas de educação para o trânsito, o reforço da sinalização, a fiscalização policial, e outras acções que visam elevar os níveis de segurança e conforto na utilização destas vias;

Recentemente, encontramos na Avenida Pedro Van-Dúnem “Loy” um panfleto colocado pelos moradores onde pediam encarecidamente a construção de uma ponte ou passadeiras, porque estavam cansados das mortes que assistem. Já existem algumas passadeiras, mas nota-se que o movimento é tão intenso que necessita de pontes. Isto está dentro das vossas expectativas ou as passadeiras são para ficar?

O projecto de requalificação desta estrada prevê a construção de passagens aéreas para peões. Em alguns pontos já existem. O Governo da Província de Luanda já deu início recentemente com as obras de construção destas estruturas. O empreiteiro está neste momento na fase final do trabalho das fundações e brevemente teremos as passagens áreas a serem efectivamente montadas.

Barrar as estradas com redes ou gradeamentos pode ser uma solução? Na proximidade do Hospital do Prenda as pessoas romperam as cercas e abriram caminhos. Não temem que isso aconteça nos sítios onde estão a efectuar o mesmo trabalho?

As vedações estão a ser feitas ao longo daqueles pontos aonde não queremos que sejam feitas travessias, ou seja, queremos evitar que haja travessia de via de forma desordenada, queremos canalizar os peões para pontos específicos para atravessarem a estrada, sejam passadeiras ou passagens aéreas. Isto não só evita acidentes como também ajuda na fluidez do trânsito.

Agora quanto a vandalização que fazes referência, temos efectivamente alguns pontos aonde estes equipamentos foram danificados, alguns por acidentes. O programa prevê a reposição dos pontos danificados e temos apoio da Polícia no que toca a fiscalização e responsabilização dos possíveis vândalos.

Acredita que os principais responsáveis são apenas os automobilistas ou os peões também têm culpa no cartório?

A prudência é exigida tanto ao automobilista como ao peão. Nestas estradas com características de vias rápidas o cuidado do peão deve ser duplicado, pois o perigo é sempre eminente;

Até que ponto acha que está a ser cumprido o novo código de estrada, tendo em conta que as vítimas da sinistralidade na capital do país continuam a crescer?

O Novo Código de Estrada terá reflexos na redução de acidentes se forem implementadas uma série de medidas preventivas, fiscalização e sancionatórias que estão previstas; estou a falar da obrigatoriedade de inspecções de veículos, a fiscalização da condução sob efeito de álcool, a aplicação da sanção de inibição de conduzir nos casos previstos, a criação de uma base de dados Nacional para controlo de veículos e condutores, sobretudo o registo de cadastro do condutor e disponível na DNVT e em todas unidades fiscalizadoras de trânsito; a redefinição do processo de formação de condutores no país….

Portanto, são algumas acções que devem ser implementadas de forma integrada para dar forma ao controlo do exercício da condução;
O novo Código de Estrada prevê a punição daqueles peões que não atravessarem nos locais permitidos, mas diariamente assistimos o contrário, sobretudo naquelas áreas com maior tráfego, como Viana, Congoleses, Cuca e arredores. Quer comentar?

A punição de peões é uma outra questão que deve merecem uma abordagem profunda e serem encontrada uma “fórmula” realista e eficaz para disciplina-los;

Não acha que a não aplicação destas multas desinibe os peões de atravessarem em locais apropriados?

Todas normas devem ser cumpridas. Se o incumprimento gerar uma ausência de sanção, então vamos cair no sentimento de impunidade. E isto gera desordem.

Aumenta significativamente os engarrafamentos na cidade, os semáforos colocados têm surtido efeitos no vosso ponto de vista?

O projecto de semaforização ainda não esta a surtir os efeitos esperados pelo facto do mesmo ainda não estar concluído. Devo-lhe informar que este sistema prevê a construção de uma sala de controlo e gestão de tráfego, aonde serão feitas todas operações que irão permitir um funcionamento mais sincronizado de todos os cruzamentos e todas acções de gestão de tráfego de forma dinâmica. A sala ainda não esta feita e, por isso, estamos a fazer acertos para termos a funcionar somente os semáforos dos pontos mais críticos em termos de convergência do tráfego.

Como está o projecto de iluminação em algumas estradas da capital, incluindo na conhecida via expressa Cacuaco-Cabolombo-Benfica?

Sobre a iluminação dos eixos estruturantes, há uma equipa técnica coordenada pelo Ministério de Urbanismo e Construção, a qual fazemos parte, bem como o Ministério de Energia e Águas, a nossa Direcção Provincial de Energia, as empresas do sector e temos acompanhado os trabalhos que sabemos estarem num ritmo bom. A via expressa já está iluminada, estando em curso trabalhos de consolidação.

Luanda conta actualmente com mais alguns municípios dentro da nossa divisão administrativa da capital.

Isso obrigou a alguma reformulação das políticas ou projectos traçados pelo seu gabinete A Nova Divisão Administrativa de Luanda fez com que o Governo da Província ajustasse as suas acções a nova dimensão territorial. Estamos a trabalhar na integração efectiva dos Municípios de Icolo e Bengo e do Kissama no Sistema de Transportes Públicos, e outras questões relativas a melhoria do tráfego e da mobilidade destas localidades.

A baía de Luanda é uma das zonas mais frequentadas, com alguns ministérios, sedes de empresas públicas e privadas, mas recentemente viu partes da avenida encerrada. Até quando vamos assistir está situação?

Sobre o estreitamento da Marginal de Luanda, por motivos do andamento do projecto de requalificação da baia, o empreiteiro deu-nos uma previsão de 2 meses. É um embaraço necessário pois o benefício será maior. As alternativas, principalmente com o fecho do Largo do Baleizão, é a rua I congresso do MPLA, a rainha Ginga e a José Pedro Tuca, depois temos toda extensão da rua Direita de Luanda.

 
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