Nem independência nem autonomia “…o que nós pretendemos é a paz” – FLEC
25-05-2012 | Fonte: Novo Jornal
A FLEC, de Nzita Tiago, parece estar seriamente empenhada em conversações que levem a paz a Cabinda.

Na edição de 4 de Maio do “Novo Jornal”, foi publicado o anseio do rebelde cabindense, de 84 anos, residente em Paris, revelando uma proposta endereçada ao Governo, que está na posse do general Manuel Hélder Vieira Dias (Kopelipa), chefe da Casa Militar da Presidência da República, responsável por este dossier.

Na notícia, que foi manchete do Novo Jornal, referia-se o nome de Khendhrah Silverbridge como sendo porta-voz da FLEC, condição agora confirmada por uma entrevista que a mensageira de Nzita Tiago concedeu à revista de grande circulação, em língua francesa, «Jeune Afrique», de 29 de Abril passado, assinada por Anne Kappès-Grangé, na qual, de forma muito clara, se evenciam os propósitos da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda:

«Nós somos realistas (…) Nós não pretendemos mais a independência, nem mesmo a autonomia. O que nós pretendemos é a paz para os cabindenses. (…) Não reivindicamos o dinheiro do petróleo, mas as infra-estruturas».

Khendhrah Silverbridge confirma, nesta entrevista, que o Governo de Luanda ainda não respondeu à solicitação para abertura de conversações afirmando que «Nzita Tiago é um conhecedor do dossier, muito respeitado e o único interlocutor com o qual Angola deve aceitar dialogar».

Anne Kappès-Grangé traça um breve quadro da situação cabindense referindo que o Governo reforçou, nas últimas semanas, a presença militar em Cabinda, e considera que Nizita Tiago perdeu influência no terreno, nomeadamente para a facção de Alexandre Tati Builo, considerando o movimento muito dividido.

Poderá ser esta divisão, aliás, o motivo que justifica o facto de o Governo ainda não ter dado uma resposta clara aos propósitos de Nzita Tiago. Citando uma sua fonte, o «Jeune Afrique» não deixa margem para dúvidas quando à divisão reinante no seio da FLEC, de que o atentado à comitiva do Togo, aquando do «CAN 2010», na fronteira com o Congo, constituiu exemplo incontornável:

«A iniciativa de Nzita Tiago é interessante, mas, é tomada a partir de Paris. (…) Tiago não tem apoio popular para decretar um cessar-fogo.
As armas estão nas mãos de Alexandre Tati Builo». E a jornalista do «Jeune Afrique» afirma, a propósito do guerrilheiro da FLEC-FAC, aquilo que é público: «Luanda recusa ver em Tati outra coisa, e não um chefe de facção e não lhe reconhece legitimidade».

Segundo uma fonte contactada pelo NJ, o Governo «aceita de bom grado todas as iniciativas que possam contribuir para a prosperidade, reforço da paz e Democracia e progresso dos angolanos».

Trata-se de uma declaração de princípio, que alinha pelos procedimentos assumidos em relação àquela província, desde sempre enquadrada no todo nacional.

Mas, o que é novidade, independentemente do protagonismo actual de Nzita Tiago no seio da FLEC é o facto deste sinal do rebelde cabindense ter uma leitura política que se enquadra na estratégia do Governo, pois, a «carta de intenções» apresentada para discussão constitui uma autêntica rendição aos princípios desde sempre defendidos por Angola em relação a Cabinda.
 
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